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Maioria das violações contra idosos acontecem na casa onde eles residem

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Por: SBT News
Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) mostram que mais de 35 mil denúncias de violações de direitos humanos contra pessoas idosas foram registradas no primeiro semestre de 2022.

Destas denúncias, mais de 87% (30.722) são referentes a violações que aconteceram na casa onde os idosos residem, sendo 16 mil delas na residência onde moram a vítima e também o suspeito, que na maioria das vezes é o filho.

Para a juíza Monize Marques, coordenadora da Central Judicial do Idoso (CJI) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o “ambiente familiar é um local bastante sensível”.

“Normalmente é onde recai o cuidado da pessoa idosa com a ampliação de custos, a reorganização de rotinas e o desafio de lidar com eventuais doenças. Por isso, mesmo havendo amor, a família pode se encontrar vulnerável e se tornar uma violadora de direitos. Assim, a principal ferramenta de proteção é o conhecimento, pois se preparar para o envelhecimento pessoal ou de familiares dignificará o processo”, diz a juíza.

Monize aponta ainda que “o principal motivo é associar o envelhecimento a algo negativo, decrépito, limitado e improdutivo. Conhecer as potencialidades dessa faixa etária permite uma convivência intergeracional mais harmônica”.

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Desde 2020, a Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza a Operação Vectus, que tem como objetivo combater crimes de violência contra a pessoa idosa.

Na primeira edição, 13.950 vítimas foram atendidas, com 3.703 inquéritos sendo instaurados pela polícia. As denúncias apuradas foram registradas através do Disque 100 e o 180. Os números da operação de 2022 ainda não foram divulgados.

Um dos obstáculos para a repressão desse tipo de crime é o receio dos idosos em denunciar os próprios filhos, suspeitos em parte considerável dos casos. A juíza Monize Marques afirma que tomar essa atitude não significa cortar as relações, e inclusive pode melhorá-las.

“Até chegar à tipificação de crime, algumas condutas poderiam ter sido repensadas ou evitadas. Por isso, buscar ajuda junto aos setores competentes não é sinal de que a família quer romper laços, mas principalmente uma atitude de quem quer manter a relação e fortalecer vínculos. Quanto antes, melhor”, diz a magistrada.

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