Política

Presidente do Banco Central diz querer melhorar relação com Lula no ano que vem

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu nesta quinta-feira (21) que o primeiro ano do governo Lula 3 foi de desconfiança por parte do Palácio do Planalto, já que Lula assumiu sem poder mexer na diretoria do banco. A autonomia do BC foi aprovada pelo Congresso no governo passado.

Apesar da desconfiança, Roberto Campos Neto disse que foi possível mostrar a Lula e aos auxiliares que o trabalho do Banco Central é técnico. “A gente tenta ajudar de todas as formas sempre. Reconheço o trabalho do outro lado para segurar o fiscal, e claro, a gente tem uma situação onde o país precisa cuidar também do social, você precisa fazer as duas coisas, e o resultado do ano foi melhor que o esperado com o crescimento e em termos de renda real surpreendeu” admitiu o presidente do BC durante entrevista.

Roberto Campos Neto também revelou que estava com o ministro Fernando Haddad em uma reunião na quarta-feira quando ele recebeu e fez inúmeras ligações para garantir que os senadores aprovassem a Medida Provisória que pode render até R$ 35 bilhões para os cofres da União no ano que vem. O presidente do BC elogiou a capacidade do ministro da Fazenda para negociar com o Congresso Nacional as pautas econômicas e também disse concordar com a decisão do governo de pedir autorização para o Supremo Tribunal Federal para pagar R$ 93 bilhões de reais em precatórios, que são aquelas dívidas da União já julgadas pela Justiça. Campos Neto destacou que não concordou com a decisão do governo Bolsonaro que no ano da eleição adiou o pagamento dos precatórios.

O último relatório trimestral do Banco Central revisou a meta de crescimento da economia brasileira neste ano de 2,9% para 3% e reduziu a chance da meta de inflação estourar o limite superior de 4,75%. Em setembro, a chance de estouro era de 67%, agora, está em 17%. Roberto Campos Neto garantiu que até março a taxa Selic, que serve de base para os juros cobrados na concessão de crédito, siga em queda, no entanto, o presidente do Banco Central afirmou que depois disso as decisões sobre redução do índice vão depender dos sinais da economia. Atualmente, a Selic está em 11,75% ao ano. A última queda aconteceu em 13 de dezembro. A redução começou em agosto depois do presidente Lula fazer inúmeras críticas à política monetária adotada pela gestão de Campos Neto. Petistas chegaram a sugerir que o Senado, que é quem fiscaliza a autonomia do BC, abrisse processo para a saída do presidente do Banco Central.

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