A família de um jovem de 24 anos do Ceará reclama que o corpo dele foi liberado pelo Instituto Técnico e Científico de Perícia (Itep) em Natal (RN) para uma pessoa desconhecida dos familiares e enterrado sem o consentimento deles. A tia de Natoniel Cícero Gomes da Silva que é de Juazeiro do Norte (CE) procurou a reportagem da TV Ponta Negra e portal Ponta Negra nesta terça-feira (27) e relatou que o sobrinho sofria de esquizofrenia. “Nós ficamos sabendo que ele tinha cometido suicídio no domingo, dia 18 de fevereiro, e procuramos o Itep”, explicou a parente.
Ela relatou que a família foi informada que ele tinha sido considerado morador de rua e teria sido enterrado em um projeto da prefeitura. Mas em seguida, os familiares foram avisados pelos conhecidos do rapaz, que outra pessoa, desconhecida da família, foi o responsável por reconhecer o corpo e pelo sepultamento. Os parentes de Natoniel chegaram até o dono do quarto em que ele estava morando. “O rapaz que alugou o quarto para Nataniel nos explicou que o meu sobrinho tinha tomado ácido muriático na praça em frente onde ele morava, na frente de todo mundo. Eles acionaram o Samu, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O homem também nos disse que Natoniel vivia dizendo que não tinha família e por isso, cinco dias depois da morte, ele foi até o Itep, reconheceu o corpo e se organizou com outras pessoas para fazer o enterro”, explicou a tia.
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Agora a família questiona o Itep sobre essa liberação do corpo sem o consentimento da família. “Eles liberaram antes do prazo de 30 dias para um desconhecido. Não esperaram a família entrar em contato”, destacou a parente.
O Itep-RN informou que existe uma portaria feita em conjunto com o Ministério Público, que regula a situação de corpos de pessoas em situação de rua. “Esse caso foi um deles. Esse rapaz vivia em situação de rua e não tinha contato com a família. Essa portaria fala que, após o cadáver ser identificado pelo Itep, a família tem até 48 horas para vir buscar o corpo. Caso não ocorra, uma pessoa que comprove algum vínculo de proximidade, como um amigo ou vizinho, por exemplo, pode retirar. Nesses casos, o Itep fica com o registro de quem retirou o corpo, além do local onde vai ser feito o sepultamento. A família alega que não conhece a pessoa que veio liberar o corpo. Mas como a família não convivia com a vítima, faz sentido. Além disso, o Itep entrou em contato com a pessoa que liberou, passou o contato para a família e passou para a família o local que ele estava enterrado”, esclareceu o Instituto em nota ao Patrulha da Cidade.
