Saúde

Entenda por que a Anvisa proibiu a manipulação de Ozempic e Wegovy

Foto: Reprodução

A Anvisa proibiu a manipulação de medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, amplamente usados no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.

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A decisão foi publicada nesta segunda-feira (25) no Despacho nº 97/2025, acompanhado da Nota Técnica nº 200/2025, após a constatação de alto risco sanitário e da ausência de comprovação de eficácia e segurança nas versões manipuladas.

Segundo a Anvisa, esses medicamentos são biotecnológicos complexos, produzidos com células vivas em processos industriais controlados. As farmácias de manipulação não conseguem reproduzir essas etapas, o que eleva o risco de falhas de qualidade, redução de eficácia e problemas de segurança para os pacientes.

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Riscos das versões manipuladas

Especialistas alertam que a manipulação pode expor os pacientes a contaminação, dosagens incorretas e efeitos adversos graves.

A endocrinologista Tassiane Alvarenga, da SBEM, ressalta: “As versões manipuladas colocam o paciente em risco, com possibilidade de contaminação e efeitos imprevisíveis.”

Já a hepatologista Patrícia Almeida, doutora pela USP, reforça que o fígado é um dos órgãos mais afetados. “A manipulação pode levar a intoxicação, hepatite medicamentosa, elevação de enzimas hepáticas e até insuficiência hepática. Além disso, há risco de pancreatite, hipoglicemia e reações adversas graves.”, explicou.

A médica acrescenta que a decisão da Anvisa é “necessária e protetiva”, pois envolve medicamentos biológicos, que não podem ser copiados como moléculas simples.

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Uso irregular e fiscalização

Nos últimos meses, relatórios indicaram que farmácias de manipulação chegaram a ofertar versões em massa desses medicamentos, sem controle de qualidade. Atualmente, não há nenhum registro de semaglutida para manipulação no Brasil, o que torna qualquer produção dessa forma irregular.

A Anvisa informou que a fiscalização será intensificada para coibir o uso inadequado.

E o caso do Mounjaro manipulado?

O Mounjaro, que contém o princípio ativo tirzepatida, não foi incluído na proibição, já que não se trata de uma molécula biológica, mas de um peptídeo sintético altamente complexo.

Mesmo assim, a fabricante Eli Lilly alerta que a manipulação também não é recomendada, pois não há garantias de eficácia, segurança ou estabilidade fora do ambiente industrial.

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