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#Curtida Cultural: “O Agente Secreto” e o novo mapa do cinema brasileiro

Foto: Divulgação

#Curtida Cultural: Por Vitor Pimentel

“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, confirma um movimento importante no cinema brasileiro. Em vez de concentrar narrativas e produção nos grandes centros, o filme abre espaço para outras regiões, colocando Pernambuco e o Nordeste como pólos criativos de peso no cenário mundial.

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A trajetória internacional já é histórica. Depois de estrear com destaque no Festival de Cannes 2025, onde ganhou os prêmios de Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, mesmo diretor de Aquarius e Bacurau, e de Melhor Ator para Wagner Moura por sua atuação como Marcelo, um professor perseguido pela ditadura, o longa alcançou um marco inédito e tornou-se o primeiro filme brasileiro indicado a três categorias do Globo de Ouro: Melhor Filme de Drama, Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama. Além disso, foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026 na disputa de Melhor Filme Internacional.

A força de “O Agente Secreto” não está só nos prêmios. Sua linguagem foge completamente das fórmulas hollywoodianas. Em vez de ritmo acelerado e reviravoltas previsíveis, Kleber aposta em uma narrativa lenta, tensa e sensorial, onde cada detalhe constrói sentido. O que pode causar algum estranhamento. É um cinema que recusa atalhos fáceis, mistura gêneros, valoriza o ambiente, os corpos e os silêncios e amplia a pluralidade de rostos e origens na tela.

Ambientado no Recife de 1977, o longa trata da ditadura militar por um ângulo menos explorado. Não olha apenas para o aparato militar ou para a repressão direta, mas para as redes de poder que se formam ao redor do regime, incluindo setores empresariais que se beneficiam da estrutura autoritária.

Para o Rio Grande do Norte, há um brilho especial. Duas atrizes potiguares ganham destaque na produção. Tânia Maria, de 78 anos, nascida no Seridó, vive Dona Sebastiana e já aparece em análises internacionais como nome forte para concorrer ao Oscar de atriz coadjuvante. Alice Carvalho interpreta Fátima e representa a nova geração de artistas nordestinos que chegam a produções de alcance global.

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O sucesso de “O Agente Secreto” se firma como um marco. Reafirma a força do Nordeste, rompe centralizações históricas e mostra que grandes histórias podem nascer de muitos lugares. É cinema que amplia o mapa do Brasil no mundo, e o RN está lá, presente, visível e protagonista.

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