Os Estados Unidos defenderam, nesta segunda-feira (5), a ação militar na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Washington negou que exista uma guerra contra o país latino-americano.
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Durante a sessão, o embaixador norte-americano Mike Waltz afirmou que a operação teve caráter de aplicação da lei e não representou ocupação territorial. “Não há guerra contra a Venezuela ou seu povo. Nós não estamos ocupando um país. Esta foi uma operação de aplicação da lei”, declarou.
EUA acusam Maduro de narcoterrorismo
Waltz classificou Nicolás Maduro como um chefe narcoterrorista, acusando o governo venezuelano de execuções extrajudiciais, tortura e detenções arbitrárias. Segundo o representante dos EUA, mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.
A reunião foi convocada após solicitação formal da Venezuela e da Colômbia, membro rotativo do Conselho, com apoio da Rússia e da China. O principal ponto do debate foi a legalidade da captura de Maduro, que foi levado aos Estados Unidos para ser julgado por suposta ligação com o narcotráfico internacional e posse de armas de guerra.
ONU demonstra preocupação com impacto regional
No início da sessão, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, leu uma mensagem do secretário-geral António Guterres, que demonstrou preocupação com os efeitos da ação militar sobre a região.
Guterres alertou para o precedente que a operação pode estabelecer nas relações entre Estados e reforçou a necessidade de respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas. “A situação é crítica, mas ainda é possível evitar uma conflagração mais ampla e destrutiva”, afirmou.
Colômbia, Rússia e China condenam operação
A representante da Colômbia, Leonor Zalabata Torres, condenou de forma categórica a ação militar norte-americana, apontando “claras violações da soberania e integridade da nação venezuelana”.
Ela também fez um apelo à desescalada do conflito. “Rejeitamos qualquer ação militar unilateral. A América Latina e o Caribe se autoproclamaram Zona de Paz e isso deve ser respeitado”, afirmou.
Os representantes da Rússia e da China também criticaram a operação e pediram a libertação imediata de Nicolás Maduro. Para o diplomata chinês Lin Jian, os Estados Unidos devem cessar violações à soberania de outros países.
Já o embaixador russo Vasily Nebenzia afirmou que não há qualquer justificativa para a ação. “Apelamos à liderança dos EUA para que liberte imediatamente o presidente legitimamente eleito de um Estado independente”, declarou.
Reino Unido e França questionam legitimidade de Maduro
Em posição distinta, Reino Unido e França reiteraram a ilegitimidade do governo de Nicolás Maduro. O representante britânico afirmou que o ditador se manteve no poder de forma fraudulenta e que o povo venezuelano merece um governo que reflita a vontade expressa nas urnas.
A França apoiou a declaração e defendeu uma transição pacífica e democrática na Venezuela, conduzida pelos próprios venezuelanos.
Venezuela denuncia violação do direito internacional
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, rechaçou a ação norte-americana e afirmou que o episódio coloca em risco a credibilidade do direito internacional e da própria ONU.
Segundo ele, o país foi alvo de um “ataque armado ilegítimo” e o sequestro de um chefe de Estado representa violação direta da imunidade presidencial. “Nenhum Estado pode se autoproclamar juiz, partido e executor da ordem mundial”, afirmou, alegando ainda que a Venezuela é atacada por causa de seus recursos naturais.
Com informações do SBT News




















































