As corridas por aplicativo mais caras deixaram de ser apenas sensação no bolso e passaram a ser um dado oficial. Os números do IPCA mostram que o preço desse tipo de transporte subiu 56,08% em apenas um ano, a maior variação anual já registrada para o serviço. Em algumas capitais, sobretudo nas de maior demanda, o aumento se aproximou de 70%, segundo levantamentos recentes.
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Conforme economistas ouvidos pela revista Exame, o avanço resulta de uma combinação de fatores. Além da inclusão da tarifa dinâmica na metodologia do IBGE, pesaram o aumento dos custos operacionais dos motoristas e uma mudança clara na estratégia das plataformas, que passaram a priorizar sustentabilidade financeira após anos de subsídios.
“O preço vem subindo já há alguns anos”, afirma Andréa Angelo, estrategista-chefe da Warren Investimentos. Segundo ela, houve um pico de 33% em 2021, seguido por alta de 10% em 2024. Agora, como resultado, o salto foi muito mais expressivo.
Corridas por aplicativo mais caras e tarifa dinâmica
A inclusão da tarifa dinâmica no cálculo do IPCA ampliou a volatilidade do indicador. De acordo com Andréa Angelo, eventos urbanos frequentes, como chuvas intensas, grandes shows ou falta de motoristas, fazem os preços dispararem, especialmente em cidades como São Paulo.
Além disso, quando o item “táxi” sobe no índice, os aplicativos tendem a ajustar seus valores. Por outro lado, essa lógica expõe o consumidor a picos abruptos de preços, principalmente em horários de maior demanda.
Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, acrescenta que o aquecimento do mercado de trabalho elevou a procura por corridas. “As plataformas têm políticas próprias de precificação, mas o aumento da demanda é certamente uma variável relevante”, afirma. Segundo ela, o custo dos combustíveis, influenciado pelo ICMS estadual, também pesa na tarifa final.
Custos, margens e diferenças entre cidades
Leonardo Leão, CEO da consultoria Brave, destaca que o reajuste reflete fatores estruturais. Do lado dos motoristas, aumentaram os gastos com combustível, manutenção, seguros e taxas cobradas pelas plataformas. Além disso, houve necessidade de recompor ganhos após um período prolongado de renda comprimida.
Do lado das empresas, a lógica mudou. Depois de anos subsidiando corridas, as plataformas passaram a repassar parte dos custos ao consumidor. Conforme Leão, trânsito intenso, escassez de motoristas e exigências regulatórias explicam por que algumas cidades registram aumentos muito acima da média nacional.
O que dizem as plataformas
Em nota, a Amobitec, associação que representa Uber e 99, afirma que os preços variam conforme tempo, distância, demanda local e estratégias comerciais. A entidade também questiona a metodologia do IBGE, alegando falta de transparência sobre as empresas consideradas no cálculo.





















































