Uma tartaruga da espécie caretta caretta, conhecida como tartaruga-cabeçuda, apareceu morta na tarde desta terça-feira (20) na praia da Redinha, na Zona Norte de Natal. O animal boiava no mar, próximo ao mercado público, e chamou a atenção de banhistas.
Diante da situação, as pessoas que estavam no local acionaram o Corpo de Bombeiros. Logo depois, quatro militares entraram no mar e retiraram a tartaruga, levando o corpo até a faixa de areia.
Avaliação dos biólogos
Em seguida, biólogos do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam) chegaram ao local para analisar o caso. A equipe confirmou a morte do animal ainda na praia.
Segundo a bióloga Gleyciane Ferreira, do Cemam, os indícios apontam para uma causa recorrente. De acordo com ela, a tartaruga ingeriu um peixe baiacu, o que pode ter provocado asfixia.
“Percebemos que a tartaruga morreu após interação com outra espécie. A ingestão do baiacu causa asfixia, e esse tipo de ocorrência tem se repetido nos últimos anos”, explicou a bióloga.
Crescimento de encalhes no litoral
Além desse caso, dados do Cemam indicam um aumento no número de encalhes no litoral potiguar. Entre 1º e 20 de janeiro, equipes registraram 45 animais marinhos encalhados no trecho que vai da praia de Sagi, no Litoral Sul, até São Miguel do Gostoso, no Litoral Norte.
Desse total, aproximadamente 90% dos animais já estavam mortos no momento da ocorrência. Portanto, os números acendem um alerta para as autoridades ambientais.
Outros registros recentes
Nas últimas semanas, outros casos reforçaram essa tendência. Duas tartarugas e um golfinho apareceram mortos nas praias de Ponta Negra, em Natal, e Pirangi do Norte, no município de Parnamirim.
Segundo o Cemam, esse aumento acontece porque, nesta época do ano, os animais se aproximam mais da costa. Eles buscam alimento, mas também acabam expostos a riscos maiores.
Fatores que contribuem para as mortes
Além da busca por alimento, outros fatores influenciam essas ocorrências. Entre eles estão a interação humana, o lixo descartado no mar e o tráfego de embarcações próximo à faixa costeira.
Por isso, o Cemam reforça a orientação para que a população acione os órgãos ambientais sempre que encontrar animais marinhos encalhados, feridos ou mortos. Dessa forma, as equipes conseguem agir com mais rapidez e precisão.
