O carrinho de supermercado tem sido o maior termômetro da economia para o brasileiro. Nos últimos meses, itens essenciais como arroz, feijão, óleo e carne registraram altas que superam a inflação oficial, pesando diretamente no bolso de quem ganha até três salários mínimos. O que antes era uma compra tranquila, hoje exige calculadora na mão e muita pesquisa de preço.
Vários fatores explicam essa subida. O clima instável em regiões produtoras — com períodos de seca severa seguidos por chuvas fora de época — prejudicou as safras de grãos e hortaliças. Além disso, o cenário internacional influencia o custo de insumos como fertilizantes e combustíveis, encarecendo o transporte do alimento do campo até a prateleira da sua cidade.
No entanto, mesmo com o cenário desafiador, existem estratégias de consumo que podem ajudar a aliviar a pressão no orçamento. Mudar pequenos hábitos de compra e estar atento aos ciclos de promoções pode significar uma economia de até 20% no valor final da nota fiscal ao fim do mês.
As causas por trás da alta nos preços
O principal vilão atual é o custo de produção. Quando o dólar sobe, os produtores brasileiros preferem exportar sua mercadoria para ganhar em moeda estrangeira, o que diminui a oferta do produto aqui dentro e faz o preço subir para nós. Somado a isso, o aumento da energia elétrica e do diesel impacta toda a cadeia logística.
No caso dos hortifrutis (frutas, legumes e verduras), a sensibilidade é ainda maior. Como são produtos perecíveis, qualquer atraso no transporte ou perda de safra por calor excessivo reflete no preço da feira na mesma semana. Por isso, a variação de valores entre um bairro e outro pode ser gigantesca.
Estratégias práticas para economizar no mercado
A primeira regra de ouro é: nunca vá ao supermercado sem uma lista. Ir apenas “para ver o que está faltando” é um convite ao consumo por impulso e à compra de itens supérfluos. Com a lista em mãos, você mantém o foco no que é essencial.
Outras táticas que funcionam:
- Marcas próprias: Muitas redes de supermercados possuem marcas próprias de arroz, feijão, produtos de limpeza e massas. Geralmente, esses produtos têm a mesma qualidade das marcas famosas, mas custam até 30% menos por não investirem tanto em publicidade.
- Dia de feira: Quase todos os mercados têm um dia específico para “Hortifruti” e outro para “Carnes”. Descubra quais são esses dias no seu bairro e programe suas compras maiores para essas datas.
- Aplicativos de fidelidade: O uso de apps de “Clube de Descontos” das redes de supermercados tornou-se indispensável. Muitas vezes, o preço na etiqueta é um para quem tem o app e outro (bem mais caro) para quem não tem.
Substituições inteligentes e consumo sazonal
Aprender a substituir é a melhor forma de enfrentar a inflação. Se o preço da carne bovina subiu muito, o frango e o ovo continuam sendo fontes de proteína mais acessíveis. O mesmo vale para frutas e verduras: consumir o que é “da época” é sempre mais barato, pois a oferta é maior e o sabor é melhor.
Evite comprar produtos processados ou picados (como bandejas de frutas cortadas ou legumes já descascados). Você paga muito mais caro pela conveniência do preparo. Comprar o alimento inteiro e prepará-lo em casa é um dos caminhos mais rápidos para reduzir o custo da cesta básica.
Planejamento de estoque doméstico
Comprar no atacado (os famosos “atacarejos”) vale muito a pena para itens não perecíveis, como papel higiênico, sabão em pó, óleo e leite. Se você tem espaço em casa, reunir-se com um vizinho ou familiar para comprar caixas fechadas desses produtos pode gerar uma economia significativa no preço unitário.
Lembre-se: a inflação não se vence apenas com cortes, mas com escolhas conscientes. Estar bem informado sobre os preços e ser flexível nas marcas é a melhor defesa do consumidor contra a alta do custo de vida.






















































