A cena do motorista parando o carro, procurando moedas ou aguardando a abertura da cancela no pedágio está ficando para trás. O sistema de livre passagem, conhecido internacionalmente como Free Flow, avançou rapidamente pelas rodovias brasileiras em 2026 e já é a realidade em diversos trechos que ligam as principais capitais do país.
Sem cabines, sem filas e sem a necessidade de reduzir a velocidade, o sistema funciona através de pórticos equipados com câmeras de última geração e sensores de radiofrequência. A tecnologia identifica o veículo pela placa ou por uma etiqueta eletrônica (tag) instalada no para-brisa, calculando o valor da tarifa de forma proporcional ao trecho percorrido.
A grande vantagem é a fluidez do trânsito e a economia de combustível, já que o “para e arranca” das praças tradicionais é um dos maiores vilões da eficiência dos motores. No entanto, a mudança exige uma nova postura do motorista, que agora é o responsável por gerenciar o pagamento de forma digital.
Como o sistema identifica o seu veículo
Ao passar pelo pórtico, lasers medem o tamanho do carro (para definir se é um veículo leve ou pesado) e câmeras de alta resolução capturam a imagem da placa. Se você já possui uma Tag (como Sem Parar, Veloe, Taggy ou ConectCar), o processo é idêntico ao que já ocorria nas pistas automáticas: o valor é debitado diretamente na sua conta ou fatura do cartão.
Para quem não possui Tag, o sistema registra a passagem pela placa. O motorista não é parado, mas a dívida fica registrada no sistema da concessionária que administra a rodovia. É aqui que mora o perigo para os mais esquecidos: o pagamento não é automático e deve ser feito via site, aplicativo ou WhatsApp da empresa em um prazo determinado.
Prazo de pagamento e multas
Diferente do modelo antigo, onde o pagamento era imediato, no Free Flow o condutor tem um prazo legal (geralmente de 15 dias) para quitar a tarifa. Caso o pagamento não seja efetuado dentro desse período, o sistema notifica automaticamente os órgãos de trânsito.
A falta de pagamento é considerada uma infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Isso resulta em:
- Multa de R$ 195,23;
- 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- O valor do pedágio continua devendo ser pago, acrescido de juros.
Benefícios para quem usa a Tag
Para incentivar o uso da tecnologia e facilitar a fiscalização, a maioria das concessionárias oferece o chamado Desconto de Usuário Frequente (DUF). Motoristas de veículos leves que utilizam a Tag e passam pelo mesmo trecho várias vezes no mês podem ter descontos progressivos que chegam a reduzir o valor da tarifa em mais de 70% no final do mês.
Além da economia financeira, a Tag evita o trabalho manual de ter que entrar em sites para pagar cada passagem individualmente, sendo a opção mais recomendada para quem viaja com frequência ou utiliza rodovias para trabalhar.
O futuro das rodovias brasileiras
A meta do governo federal é que, até o final da década, todas as rodovias concedidas à iniciativa privada operem exclusivamente no sistema Free Flow. Isso deve reduzir o custo operacional das rodovias e, consequentemente, permitir tarifas mais baixas, já que o custo de manter grandes estruturas físicas e funcionários em cabines desaparece.
A modernização também permite uma cobrança mais justa: no modelo antigo, você pagava o valor total da praça mesmo que fosse sair da rodovia um quilômetro depois. Com o Free Flow, é possível instalar mais pórticos e cobrar apenas pelos quilômetros que o motorista realmente utilizou.
Ficar atento à sinalização vertical (placas) que indica o início do trecho Free Flow é essencial para se manter em dia com a lei e aproveitar os benefícios da tecnologia.






















































