Com aumento recorde de hospitalizações no início de 2026, Ministério da Saúde reforça o alerta sobre os sinais de gravidade e a nova vacinação.
O Brasil enfrenta em fevereiro de 2026 uma das crises epidemiológicas mais severas de sua história recente no que diz respeito às arboviroses. O monitoramento nacional indica que a curva de contaminação por Dengue subiu de forma atípica nas primeiras semanas do ano, superando as piores projeções climáticas. A combinação de ondas de calor intenso e chuvas irregulares criou o ambiente perfeito para a proliferação acelerada do mosquito Aedes aegypti.
O perigo das novas variantes circulantes
O grande diferencial de 2026 não é apenas o volume de doentes, mas a agressividade das cepas em circulação. Infectologistas explicam que as novas variantes apresentam uma carga viral mais elevada nos primeiros dias de infecção, o que pode levar a um agravamento rápido do quadro clínico. Além disso, a circulação simultânea de diferentes sorotipos aumenta o risco da chamada Dengue Hemorrágica para quem já foi infectado em anos anteriores.
Quando uma pessoa é infectada pela segunda vez por um sorotipo diferente, o sistema imunológico pode reagir de forma descontrolada, causando inflamações sistêmicas e queda brusca de plaquetas. Por isso, a recomendação atual é que qualquer sintoma seja tratado com atenção redobrada, independentemente do histórico de saúde do paciente.
Sintomas e a importância da hidratação imediata
Os sintomas clássicos como febre alta de início súbito, dores intensas nas articulações, dor atrás dos olhos e fadiga extrema continuam sendo os principais sinais. No entanto, nesta temporada, médicos têm observado um aumento de casos com sintomas gastrointestinais, como náuseas e vômitos persistentes.
A hidratação é o pilar central do tratamento. O paciente com suspeita de Dengue deve ingerir entre 60 ml e 80 ml de líquidos por quilo de peso corporal ao dia. O uso de soro caseiro e bebidas isotônicas ajuda a manter a pressão arterial estável. Vale ressaltar: nunca use medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (Aspirina) ou anti-inflamatórios como o Ibuprofeno, pois eles aumentam consideravelmente o risco de hemorragias internas.
Em 2026, o Brasil conta com uma estratégia de vacinação mais robusta. O imunizante disponível no SUS protege contra os quatro principais tipos do vírus. O foco inicial permanece em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária com maior índice de internações. Contudo, em regiões classificadas como “zonas críticas”, a vacinação foi estendida para adultos de até 59 anos.
A vacina é segura e eficaz, mas exige duas doses para garantir a imunidade completa. Autoridades reforçam que a vacina é uma ferramenta de longo prazo; o controle imediato do surto ainda depende da eliminação dos criadouros do mosquito.
Como a comunidade pode ajudar no controle
Estudos mostram que cerca de 80% dos focos do mosquito estão dentro das casas. Pequenas ações semanais, como a limpeza de calhas, a vedação de caixas d’água e a eliminação de pratinhos em vasos de plantas, são cruciais. A conscientização coletiva é a única barreira capaz de evitar que o sistema de saúde entre em colapso total antes do fim do verão.
Se você ou alguém da sua família apresentar sinais como dor abdominal intensa, tontura ao levantar ou sangramento de gengiva, procure uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) imediatamente. O diagnóstico precoce é o que define a sobrevivência em casos graves.
