Neste sábado (7), durante o evento que marcou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, em discurso para aliados e apoiadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Congresso Nacional sequestrou o Orçamento público por meio das emendas parlamentares e classificou a prática como algo anormal.
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Segundo Lula, o chamado orçamento secreto representou um desvio da função original do Executivo. “O orçamento secreto foi um sequestro do Orçamento do Executivo para que deputados e senadores utilizassem o dinheiro que sobra para o governo. Este ano é quase R$ 60 bilhões”, afirmou. Para o presidente, embora muitos considerem o mecanismo normal, a prática compromete a gestão pública.
Além disso, Lula criticou o próprio PT por ter votado favoravelmente a esse modelo em momentos anteriores. De forma direta, ele cobrou postura ética da legenda e alertou para o risco de o partido se tornar apenas mais um no cenário político nacional. Conforme ressaltou, os integrantes da sigla têm obrigação moral de impedir que isso aconteça.
Orçamento reacende embate com o Congresso
As declarações do presidente ocorrem após críticas do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ao uso do termo “sequestro” para definir as emendas. Em janeiro, Motta reagiu a uma fala da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que afirmou que parte do Orçamento havia sido confiscada por um Congresso cada vez mais dependente desses recursos. Para o parlamentar, a expressão deslegitima o papel do Legislativo.
No entanto, Lula manteve o tom crítico e ampliou o debate. Ele afirmou que a política brasileira se tornou mercantilizada nos últimos anos e lamentou os custos elevados das campanhas eleitorais. Conforme destacou, o valor de cabos eleitorais, vereadores e candidaturas em geral virou motivo de vergonha. Por outro lado, o presidente relembrou períodos em que campanhas eram financiadas com comícios e venda de materiais simples.
Em mais um recado direto ao Congresso, Lula declarou que deputado não pode confundir mandato com profissão. “Deputado não é profissão”, afirmou, reforçando a ideia de que o cargo deve ser exercido como representação temporária da sociedade. Assim, o discurso reforçou o embate entre Executivo e Legislativo sobre o controle do Orçamento.
