Especialista explica que a queda brusca de estímulos após dias intensos de festa pode causar sintomas emocionais e afetar a concentração na volta à rotina Depois de dias de folia, música alta, multidões, pouco sono e uma rotina completamente fora do comum, muitas pessoas enfrentam um retorno difícil à vida normal. Cansaço extremo, irritação, desânimo e dificuldade de concentração estão entre os sintomas mais comuns no período pós-Carnaval.
Embora muita gente interprete esse estado como “preguiça” ou falta de vontade, especialistas apontam que essa é uma leitura superficial. Para a psicóloga Candice Galvão, existe uma explicação clara do ponto de vista psicológico e neurocientífico.
“Durante períodos intensos, como o Carnaval, o cérebro é exposto a um excesso de estímulos: mais dopamina, mais adrenalina, menos sono, mais álcool e pouca previsibilidade”, afirma.
Segundo Candice, com esse cenário, o organismo entra em um ritmo acelerado por vários dias seguidos. “O sistema nervoso entra em um modo de excitação constante. Então, quando esse ritmo termina de forma bruta, o cérebro sente a queda”, explica.
Queda de estímulos pode causar “vazio emocional”
A psicóloga aponta que essa transição pode provocar reações emocionais e físicas que não devem ser tratadas como simples falta de disposição. “Essa transição pode gerar desânimo, irritabilidade, vazio emocional e dificuldade de concentração”, diz Candice Galvão.
O impacto, segundo especialistas, tende a ser mais perceptível em pessoas que já estavam em um período de estresse, sobrecarga emocional ou sono desregulado antes mesmo do Carnaval.
Psicoterapia é suporte antes, durante e depois
Candice Galvão destaca que a psicoterapia pode ser um apoio importante não apenas quando o desconforto aparece, mas também como forma de prevenção e cuidado contínuo. “É aí que a psicoterapia se mostra fundamental, não apenas depois, quando o desconforto aparece, mas antes, durante e após os períodos sazonais”, afirma.
De acordo com ela, o acompanhamento pode ajudar em diferentes fases. “Antes, para fortalecer os recursos emocionais e o autoconhecimento. Durante, para ajudar as pessoas a se perceberem, reconhecendo seus limites e não se perdendo nos excessos. E depois, para reorganizar as emoções, as expectativas e o retorno à rotina de forma mais saudável”, completa.
Saúde emocional não depende de datas
Para a psicóloga, a ideia de cuidar da mente apenas em momentos críticos ainda é um erro comum. “A saúde emocional não funciona por eventos isolados, nem por datas. O cérebro precisa de constância, de regulação ao longo do ano”, destaca. Candice reforça que a psicoterapia não deve ser vista apenas como solução emergencial. “Psicoterapia não é só para crises, é um espaço de sustentação emocional contínua”, pontua.
Quando procurar ajuda
Apesar de ser comum sentir cansaço e desânimo nos dias seguintes ao Carnaval, o alerta aumenta quando os sintomas se tornam intensos ou persistentes, afetando trabalho, estudos, relações e sono por mais tempo do que o esperado. “Portanto, não se trata de preguiça. Trata-se de um sistema emocional que precisa ser cuidado, compreendido e acompanhado com muita responsabilidade”, conclui Candice Galvão.
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