A Fala machista de Gustavo Marques provocou forte reação da Federação Paulista de Futebol após a eliminação do Red Bull Bragantino no Campeonato Paulista. O zagueiro criticou a arbitragem da árbitra Daiane Muniz depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube e questionou a presença de uma mulher em um jogo “desse tamanho”.
Leia também:
Federação de Judô do RN promove curso para formação de faixa preta
O atleta afirmou que a Federação não deveria escalar uma mulher para partidas envolvendo grandes clubes. Em seguida, declarou que a árbitra “acabou com o jogo” do Bragantino. Como resultado, a repercussão foi imediata nas redes sociais e no meio esportivo.
Fala machista de Gustavo Marques é repudiada pela FPF
A Federação informou que recebeu a entrevista com “profunda indignação e revolta”. Além disso, destacou que mantém 36 árbitras e assistentes em seu quadro e que trabalha para ampliar essa participação. Segundo a entidade, a declaração reflete uma visão “primitiva, machista, preconceituosa e misógina”, incompatível com os valores do esporte.
Posteriormente, a FPF anunciou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva. Assim, o órgão competente poderá avaliar possíveis sanções disciplinares. A entidade reforçou que não aceita questionamentos baseados em gênero, mas sim avaliações técnicas fundamentadas.
Por outro lado, o Red Bull Bragantino divulgou nota oficial. O clube afirmou que não compactua com a declaração e que repudia o teor das palavras do atleta. Embora reconheça o peso emocional de uma eliminação, a diretoria afirmou que nada justifica o ocorrido e informou que estuda punições internas.
Depois da repercussão negativa, Gustavo Marques pediu desculpas publicamente. Ele reconheceu o erro, alegou que estava nervoso e afirmou ter procurado Daiane Muniz para se retratar pessoalmente. Segundo o jogador, a árbitra aceitou o pedido de desculpas, mas alertou sobre a gravidade das palavras.
Veja a nota completa do Red Bull Bragantino:
“O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida.
Ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, se dirigiram até o vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente em nome da instituição e reconhecer o erro. Ambos também atenderam a imprensa no local.
Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta.”
Veja a nota completa da Federação Paulista de Futebol:
“É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia.
Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero.
A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça.
Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.
Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis.”
