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Saúde

Duas jovens influenciadoras morrem após mal súbito; médicos alertam sobre riscos silenciosos

A morte repentina de duas influenciadoras digitais na Grande São Paulo, com poucos dias de diferença, causou comoção nas redes sociais e trouxe à tona o risco de mal súbito entre os mais jovens.

Natural de Mauá, a influenciadora Bianca Dias, de 27 anos, morreu após sofrer uma embolia pulmonar durante a recuperação de procedimentos estéticos. A embolia está ligada à morte súbita porque pode comprometer de forma repentina a circulação e a oxigenação do organismo, podendo levar a uma parada cardíaca. Conhecida por compartilhar viagens, rotina fitness e momentos em família, ela reunia cerca de 60 mil seguidores nas redes sociais. Bianca deixou duas filhas. O sepultamento ocorreu na sexta-feira (20), em Ribeirão Pires.

Outra perda recente abalou seguidores na região do ABC Paulista. A criadora de conteúdo Maria Rita Rodrigues da Silva, de 25 anos, morreu após sofrer um mal súbito. Com perfis voltados à beleza e moda, ela somava mais de 75 mil seguidores entre Instagram e TikTok. A família confirmou a morte nas redes sociais. O sepultamento ocorreu na segunda-feira (23), em São Bernardo do Campo.

Mas, afinal, o que é mal súbito?

Ao SBT News, a cardiologista e arritmologista Veridiana Silva de Andrade, membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas e coordenadora de campanha de prevenção, explica que a morte súbita é caracterizada pela interrupção inesperada das funções vitais.

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“A morte súbita é uma morte que acontece de forma repentina e inesperada e 80% a 90% dessas mortes têm causa cardíaca, isso está relacionado à presença de arritmias cardíacas (uma aceleração súbita que leva à perda do funcionamento do órgão) ou infarto agudo do miocárdio”, explica.

A médica destaca, porém, que nem todos os casos têm origem cardíaca. Entre as causas extracardíacas está o Acidente Vascular Cerebral (AVC isquêmico ou hemorrágico), a dissecção da aorta (ruptura do vaso principal que sai do coração) e o tromboembolismo pulmonar, diagnóstico associado à morte de Bianca.

“O tromboembolismo pulmonar tem origem em trombos que se formam em geral nos membros inferiores, nas pernas. (…) Quando eles migram e se instalam na árvore pulmonar, eles podem causar um colapso circulatório, o que leva a uma parada cardíaca e a morte súbita”, afirma.

Pode acontecer em jovens? O que explica a morte das influenciadoras?

Segundo o cardiologista Cristiano Faria Pisani, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, o mal súbito é mais frequente em pessoas mais velhas, geralmente após os 50 anos, sendo o infarto a causa principal. “No entanto, jovens também podem apresentar morte súbita, frequentemente relacionada a arritmias em corações estruturalmente normais ou a casos de embolia pulmonar”, pontua.

“No caso de Bianca Dias, descrito como embolia pulmonar, é possível que ela apresentasse alguma alteração de coagulação favorecendo o evento, principalmente se associada a fatores de risco como o cigarro e o uso de anticoncepcional.”

Já sobre Maria Rita, o médico explica que é preciso investigar os antecedentes familiares e saber se ela já havia apresentado desmaios ou outros eventos cardiológicos prévios.

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Fatores de risco

“Se você está num pós-operatório ou se você é sedentário, obesidade, uso de cigarro, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais, todos esses fatores podem aumentar o risco de trombose”, alerta a especialista Veridiana Silva.

Ela explica que há ainda predisposições individuais à formação de coágulos, o que exige atenção a sintomas que muitas vezes são ignorados. “Devemos ficar atentos a um inchaço nas pernas, uma falta de ar, uma fadiga súbita, dor no peito e sensações como desmaio ou colapso”, diz.

Conforme a cardiologista, o reconhecimento rápido dos sinais pode ser decisivo para salvar vidas. “Diante de uma perda de consciência, muitas vezes é necessário identificar, chamar a emergência e iniciar as manobras de reanimação cardíaca.”

Como prevenir mal súbito?

Cristiano Faria diz que a principal forma de prevenção é avaliar as pessoas com predisposição. “Isso envolve investigar episódios prévios (como histórico de trombose/embolia) e realizar uma avaliação cardiológica que, inicialmente, pode ser básica, apenas com um eletrocardiograma. Conhecer a história familiar é essencial para identificar pessoas em risco”, destaca.

Já a arritmologista reforça que a prevenção é possível em situações de risco conhecido, como no pós-operatório ou em períodos de imobilização prolongada. Além disso, o acompanhamento regular da saúde, o controle de doenças crônicas (como diabetes e hipertensão), e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir o risco de mal súbito.

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Praticar atividades físicas orientadas, manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, hidratar-se adequadamente e gerenciar o estresse são pilares essenciais para a saúde do coração e da circulação.

“Pessoas que estão em pós-operatórios ou que têm algum risco aumentado de trombose devem receber medicações específicas para isso. Então procure o seu médico, fique atento. A informação e a prevenção salva vidas”, conclui.

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