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“Somos Tão Jovens”: Por que ainda precisamos “dar play” na obra de Renato Russo?

 

Renato Russo não é apenas um nome na história da música brasileira; sua obra continua sendo fundamental para uma compreensão social e política do nosso país. A chegada de “Somos Tão Jovens” (2013) ao catálogo da Netflix abre um portal necessário para que as novas gerações acessem essa narrativa, 30 anos após a morte do líder da Legião Urbana. Com roteiro de Marcos Bernstein (de Central do Brasil), o longa mergulha no período formativo do roqueiro, da sua adolescência como Renato Manfredini Jr, em Brasília, até a transformação no ícone do rock nacional no início dos anos 80.

O Som como Ato de Presença

Diferente de cinebiografias que apostam na perfeição do estúdio, o filme traz uma escolha técnica vigorosa. O protagonista Thiago Mendonça (que viveu o cantor Luciano em 2 Filhos de Francisco) mimetiza com precisão a voz e o jeito de Renato, com um detalhe impressionante: gravou e cantou todas as cenas musicais com som direto; ao vivo. Essa crueza, arrebata o expectador e humaniza o ídolo. O resultado é uma atuação que evoca um desejo instintivo de “cantar junto”, ao mesmo tempo que permite descobrir as histórias por trás de hinos como “Ainda é Cedo” e “Eduardo e Mônica”.

As Camadas do Conflito

Com direção de Antonio Carlos da Fontoura (de Uma Onda no Ar), o longa toca em feridas essenciais da personalidade de Renato, como a epifisiólise — doença óssea que o deixou acamado por meses na adolescência e que o fez mergulhar no mundo da literatura e da filosofia. Vemos também sua conexão com a cultura punk e sua personalidade controversa e transgressora. Contudo, há uma clara “suavização” em temas como a bissexualidade e o uso de drogas, que são abordados de forma quase “chapa branca”, sem a densidade sombria que acompanhou a realidade do artista. O resultado é uma obra de entretenimento leve, familiar, com classificação indicativa de 14 anos.

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A Relevância Democrática

Mesmo três décadas após sua partida, o filme dá voz à crítica social de Renato Russo, que ecoa ainda mais forte em anos eleitorais e em debates sobre direitos civis. Se, por um lado, simplifica o homem, por outro, amplifica a mensagem — principalmente para uma juventude hiperconectada — de um país que ainda luta para se entender como democracia consolidada.

Assistir a “Somos Tão Jovens” no streaming é lembrar que ainda temos muito a fazer e lutar e que esse exercício de memória nunca será “Tempo Perdido”.

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