Saúde

HUOL-UFRN recruta crianças com anemia grave para estudo sobre doença rara do sangue

Foto: Ilustrativa

O Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está com recrutamento aberto para crianças do Norte e Nordeste que apresentem sintomas compatíveis com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença rara, crônica e potencialmente grave que afeta as células do sangue. O estudo clínico é voltado à população pediátrica e posiciona a instituição como o único hospital da Rede Ebserh nas duas regiões com pesquisa ativa nessa área.

O hospital tornou-se apto para a realização do estudo a partir de dezembro de 2025, após a aprovação de regulatório, aferição dos equipamentos necessários ao suporte dos participantes envolvidos e treinamento da equipe, composta por oito profissionais que atuam no Centro de Pesquisa Clínica do HUOL.

De acordo com Ana Katarine Caldeira, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica do hospital universitário, podem participar crianças que apresentem sinais suspeitos da doença. “Crianças que possuam os sintomas como anemia, urina escura como Coca-Cola e trombose, a partir da identificação e indicação feita por qualquer profissional pediatra. Durante o estudo, é feito o exame que atesta se a criança está com a doença ou não”, ressalta.

Condição rara e de difícil diagnóstico

A Hemoglobinúria Paroxística Noturna é uma condição rara e de difícil diagnóstico. Cansaço persistente, anemia recorrente, dores no corpo e episódios de trombose estão entre os principais sinais.

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Segundo Cassandra Valle, médica da Hematologia Pediátrica e investigadora principal do estudo, trata-se de “um distúrbio genético adquirido, raro, que afeta de um a 10 casos por milhão de pessoas e provoca redução ou ausência de uma proteína presente na célula-tronco hematopoética, que dá origem a outras células sanguíneas. A ausência dessa proteína faz com que essas células fiquem predispostas à destruição pelo sistema complemento”, explica.

A doença ocorre com maior incidência em pessoas acima de 30 anos, mas também pode atingir crianças. A alteração leva à destruição mais frequente das hemácias, causando anemia intensa, predisposição à trombose e até falência medular, podendo evoluir para aplasia com indicação de transplante.

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