No Dia Mundial da Obesidade, o uso de canetas emagrecedoras já provoca mudanças no comportamento dos consumidores e até no cardápio de restaurantes pelo país. A procura por medicamentos para perda de peso ganhou espaço na rotina de muitos brasileiros, enquanto especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico e de mudanças no estilo de vida.
Em um restaurante de Brasília, o chef precisou adaptar o cardápio depois de perceber que clientes que utilizam as canetas passaram a pedir porções menores e refeições mais leves. O cenário reflete uma realidade nacional.
Segundo dados do Ministério da Saúde, por meio da pesquisa Vigitel Brasil 2006-2024, 62,6% dos adultos que vivem nas capitais brasileiras estão acima do peso. Em 2006, esse número era de 42,6%. Atualmente, cerca de 1 em cada 4 adultos é considerado obeso. Entre os homens, 64,9% têm excesso de peso. Entre as mulheres, o índice é de 60,6%, com crescimento mais acelerado nos últimos anos.
Para a médica Ana Luísa Vilela Barbosa, especialista em metabolismo complexo, as canetas representam uma transformação no tratamento da obesidade. “Falar de canetas emagrecedoras é falar sobre uma grande revolução. Nós passamos anos e anos sem um tratamento adequado para obesidade”, afirma.
Segundo ela, os medicamentos ajudam no controle da fome e no tratamento de doenças metabólicas. “Esses hormônios são extremamente importantes no controle da fome, dessa fome biológica que nunca foi tratada até então”, explica.
Apesar dos benefícios, a médica alerta para os riscos de utilização sem orientação profissional. “O uso exacerbado dessas canetas sem controle médico adequado pode levar a casos de magreza extrema, desnutrição, sarcopenia, doenças que estavam um pouco esquecidas na nossa história.”
Ela reforça que o tratamento deve ser visto como questão de saúde. “Não podemos encarar as canetas simplesmente como um tratamento estético e sim um tratamento de saúde que tem que vir adequado a cada pessoa.”
A nutricionista Cynthia Howlett destaca que a obesidade é uma doença crônica ligada aos hábitos formados desde a infância. “Sabemos que a obesidade é uma condição crônica que se desenvolve ao longo da vida, em grande parte devido a hábitos alimentares inadequados.”
Ela lembra que as medicações podem ser ferramentas importantes, mas não substituem mudanças no estilo de vida. “Algumas ferramentas utilizadas para obesidade são medicações, canetas emagrecedoras, soluções mais imediatas e a curto prazo, que são eficazes, mas que nem sempre solucionam o problema como um todo, que é esse estilo de vida saudável.”
