O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, major-general Ali Mohammad Naeini, disse nesta terça-feira (10) que as Forças Armadas estão aguardando os Estados Unidos no Estreito de Ormuz — rota marítima e petrolífera. Em tom de ameaça, o militar afirmou que o exército está preparado para a presença norte-americana.
“As Forças Armadas da República do Irã estão aguardando a frota naval dos Estados Unidos na região do Estreito de Ormuz e estão esperando o porta-aviões Gerald Ford”, disse Naeini à mídia estatal, referindo-se a um dos dois porta-aviões norte-americanos enviados ao Oriente Médio.
A declaração do militar acontece em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na segunda-feira (9), o republicano ameaçou atingir o Irã “com muito mais força” caso o país interrompesse o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, dizendo que “morte, fogo e fúria” reinaram sobre as tropas iranianas.
Naeini alertou que se os ataques entre Estados Unidos e Israel continuarem, o Irã “não permitirá a exportação de um único litro de petróleo da região”. “Ele [Trump] reivindicou a presença de navios comerciais e militares na região; enquanto navios, embarcações e caças americanos fugiram e estão posicionados a uma distância de mais de 1.000 km para evitar os poderosos mísseis e drones do Irã”, disse.
Estreito de Ormuz é corredor marítimo
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, motivado pelo programa nuclear iraniano, escalou para o Estreito de Ormuz. A região, situada entre o Irã e Omã, é um ponto estratégico global por ser um corredor marítimo, sendo a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial.
Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo. Nesta semana, por exemplo, os mercados financeiros iniciaram sob forte tensão, elevando o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril, o que provocou queda acentuada nas bolsas americanas, devido ao fechamento contínuo do estreito.
Em meio ao cenário, Trump ameaçou o Irã com novos ataques, caso a passagem não seja liberada, dizendo, inclusive, que considera assumir o controle da rota marítima. O republicano afirmou que a atuação dos Estados Unidos no estreito seria um “presente” para a China e outros países que dependem do petróleo bruto e do gás natural transportados pela rota.
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