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Deputado preso no RJ usava postos de combustíveis para lavar dinheiro público, diz PF

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Rangel (Avante), preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne, usava uma rede de postos de combustíveis sob seu controle para lavar dinheiro público desviado, inclusive da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), segundo a Polícia Federal.

A informação consta na decisão de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao qual o SBT News teve acesso. A investigação aponta que os postos eram formalmente registrados em nome de terceiros — usados como “laranjas” — mas, na prática, seriam controlados pelo parlamentar.

O SBT News procurou as defesas dos citados, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Segundo a PF, esses estabelecimentos funcionavam como destino final de parte dos recursos desviados, permitindo a inserção do dinheiro no sistema formal e dificultando o rastreamento da origem ilícita.

Empresário conhecido no setor, Rangel é descrito como responsável por gerir uma parte da organização criminosa e por articular interesses entre empresários e agentes públicos. Ele também aparece como destinatário direto de valores desviados.

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Contratos públicos para empresas previamente alinhadas ao grupo

De acordo com a investigação, o esquema consistia no direcionamento de contratos públicos para empresas previamente alinhadas ao grupo. Após o pagamento com recursos do Estado, parte dos valores era devolvida — em espécie ou por transferências — e, em seguida, redirecionada para empresas e negócios ligados aos investigados, como forma de ocultar a origem ilícita.

A Polícia Federal afirma que o modelo foi identificado inicialmente no âmbito municipal, em Campos dos Goytacazes, entre 2021 e 2022, e teria sido posteriormente replicado na estrutura estadual. A partir de 2023, o grupo passou a atuar em contratos ligados à Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), com foco em obras e reformas de escolas.

Segundo a decisão, Rangel operava um braço regional do esquema, com atuação concentrada no Norte e Noroeste Fluminense, onde exercia influência política e controle sobre indicações em cargos estratégicos.

O deputado Rodrigo Bacellar, também alvo desta fase, é apontado como peça central no esquema. De acordo com a investigação, ele teria influência sobre nomeações no governo estadual, incluindo na área da Educação, e apareceria nas tratativas como responsável por dar aval ou “liberar” contratos de obras.

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