A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14), revelou detalhes sobre a atuação do grupo “Os Meninos”, apontado pela Polícia Federal como o braço tecnológico de uma organização ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Eles seriam responsáveis por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal de pessoas.
Segundo a decisão, o núcleo tinha “perfil eminentemente tecnológico” e executava ações digitais clandestinas para atender interesses do grupo do banqueiro. De acordo com a Polícia Federal, eles eram gerenciado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Sicário morreu dois dias após ser preso, após atentar contra a própria vida na cela da PF.
O documento afirma que “Os Meninos” faziam, no ambiente digital, o que “A Turma” fazia presencialmente: “neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse da organização”. Ainda segundo a representação, o grupo continuou atuando mesmo após fases anteriores da operação.
A decisão cita ainda uma conversa atribuída a Sicário sobre a divisão de recursos entre os núcleos da organização. Segundo o documento, cada integrante do grupo receberia cerca de R$ 75 mil mensais, enquanto outro grupo investigado, chamado “A Turma”, ficaria com R$ 400 mil. O restante permaneceria com Mourão.
Líder saiu de casa “cantando pneus” em dia de operação
Conforme a decisão do STF, a Polícia Federal identificou David Henrique Alves como líder operacional do núcleo hacker. Os investigadores afirmam que ele coordenava agentes especializados em ataques cibernéticos, monitoramento digital ilícito e invasões telemáticas.
Segundo o documento, David recebia aproximadamente R$ 35 mil mensais por intermédio da empresa BIPE Software Brasil Ltda., apontada pela investigação como possível estrutura usada para operacionalizar pagamentos ligados às atividades do grupo.
