A Proibição do PMMA para procedimentos estéticos realizados por médicos passará a valer em todo o Brasil a partir da próxima terça-feira. A medida foi determinada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) após o registro de complicações graves associadas ao uso da substância, incluindo casos de deformações permanentes e mortes.
Leia também:
Sesap convoca 50 profissionais da saúde para atender interior do Estado
Segundo o CFM, a decisão busca aumentar a segurança dos pacientes e reduzir os riscos relacionados à aplicação do polimetilmetacrilato (PMMA), um material utilizado para preenchimento e aumento de volume em diferentes regiões do corpo. Além disso, o conselho avaliou que os riscos da substância superam os benefícios quando empregada para fins estéticos.
Recentemente, um caso ocorrido em São Paulo voltou a chamar atenção para os perigos associados ao produto. A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu após realizar um procedimento estético para aumento dos glúteos com aplicação de PMMA.
Proibição do PMMA foi motivada por casos graves
De acordo com informações registradas no boletim de ocorrência, Roseli recebeu cerca de 300 ml da substância nos glúteos e na parte posterior das coxas. Durante a madrugada seguinte ao procedimento, ela apresentou dores intensas, mal-estar e falta de ar.
Na manhã do dia seguinte, a paciente retornou ao local onde havia realizado a aplicação. No entanto, sofreu uma parada cardiorrespiratória antes mesmo de ser reavaliada pela médica responsável. Como resultado, o caso passou a ser investigado pelas autoridades.
A médica responsável pelo procedimento tornou-se alvo de investigação policial. Segundo informações divulgadas, ela já teria sido relacionada anteriormente a outros casos semelhantes ocorridos em Goiás.
A defesa da profissional informou que a investigação ainda está em fase inicial. Conforme a nota divulgada, não existe, até o momento, laudo conclusivo que estabeleça relação direta entre o procedimento e o óbito da paciente.
O que é o PMMA e quais são os riscos?
O PMMA é um material plástico utilizado como preenchedor em procedimentos estéticos e reparadores. Diferentemente do ácido hialurônico, a substância não é absorvida pelo organismo. Por isso, seus efeitos podem permanecer por muitos anos.
Segundo especialistas e órgãos reguladores, as complicações podem surgir imediatamente ou até mesmo anos após a aplicação. Entre os principais riscos estão inflamações severas, infecções, necroses, deformações permanentes, migração do produto para outras áreas do corpo e, em casos extremos, morte.
A nova norma não proíbe totalmente o uso da substância. O PMMA continuará autorizado em situações específicas, como tratamentos reparadores para pacientes com HIV que apresentam lipoatrofia facial, desde que haja indicação médica adequada e critérios técnicos rigorosos.
Atualmente, o ácido hialurônico é uma das alternativas mais utilizadas em procedimentos estéticos por apresentar absorção natural pelo organismo e menor risco de complicações permanentes. Assim, a decisão do CFM reforça a preocupação crescente com a segurança dos pacientes e a adoção de práticas médicas mais seguras.
