A saúde vocal e auditiva merece atenção durante a Copa do Mundo. Embora os jogos sejam marcados por muita animação, os excessos podem causar problemas como rouquidão, falhas na voz, pigarro, dor de garganta, dor de ouvido, zumbido e até perda auditiva temporária.
Gritos, cantorias, buzinas, cornetas e fogos de artifício fazem parte da tradição das comemorações. No entanto, o uso intenso da voz e a exposição prolongada a ruídos elevados podem trazer consequências para a saúde.
Para ajudar os torcedores a aproveitarem os jogos sem prejuízos, o médico otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros reuniu orientações sobre os principais cuidados.
O que fazer para recuperar a voz
Segundo o especialista, quem apresentar rouquidão ou falhas na voz deve evitar sussurrar. Embora muitas pessoas considerem essa uma alternativa mais suave, o sussurro exige esforço adicional dos músculos responsáveis pela fala e pode agravar o problema.
Além disso, durante períodos de festas e confraternizações, é comum aumentar o consumo de bebidas alcoólicas e alterar os hábitos alimentares. Como resultado, cresce o risco de refluxo gastroesofágico, condição que pode irritar as pregas vocais.
Quando o refluxo se soma ao abuso vocal, o risco de lesões e inflamações aumenta.
“Em casos de rouquidão ou afonia, é importante poupar a voz, utilizando-a apenas quando necessário, articular bem as palavras e manter uma boa hidratação, principalmente nos dias mais secos”, orienta o médico.
Por outro lado, se a rouquidão persistir por mais de uma semana, a recomendação é procurar avaliação médica com um otorrinolaringologista.
Recursos populares não recuperam a voz
Algumas alternativas bastante conhecidas, como gengibre, mel, própolis e balas de menta, podem proporcionar alívio momentâneo. Isso acontece porque esses produtos têm efeito anestésico na região da garganta.
Entretanto, eles não aceleram a recuperação da voz. Da mesma forma, o conhaque pode gerar uma sensação temporária de melhora, mas o efeito posterior costuma ser ainda mais prejudicial.
Já o gargarejo com água morna e sal pode ajudar a remover secreções e aliviar inflamações na garganta. Embora não atue diretamente sobre as pregas vocais, esse cuidado pode contribuir para a recuperação quando existe irritação na região.
Saúde vocal e auditiva exige atenção aos ruídos
A exposição prolongada a sons intensos também representa um risco. Fogos de artifício, cornetas, apitos e buzinas podem provocar danos à audição, especialmente quando utilizados sem moderação.
Por isso, o especialista recomenda algumas medidas preventivas:
- Evitar permanecer por longos períodos em ambientes muito barulhentos;
- Utilizar protetores auditivos em locais com ruído intenso, principalmente entre idosos e pessoas mais sensíveis;
- Evitar buzinas, vuvuzelas e outros equipamentos sonoros em ambientes fechados;
- Ouvir músicas em volume moderado, preferencialmente abaixo de 50% da capacidade dos aparelhos.
Prevenção ajuda a preservar a audição
De acordo com o médico, a prevenção continua sendo a principal forma de proteger a saúde auditiva durante eventos esportivos e comemorações.
“Perdas de audição são irreversíveis e poucas mudanças de hábito já surtem excelentes efeitos benéficos para a saúde auditiva. Lembre-se de que ouvir é um privilégio”, conclui.
A adoção de cuidados simples permite que os torcedores acompanhem os jogos da Copa do Mundo com mais segurança, preservando a saúde vocal e auditiva durante toda a competição.
