O endividamento das famílias brasileiras alcançou 81,6% em maio de 2026, o maior índice da série histórica iniciada em 2015. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O indicador avançou pelo quinto mês consecutivo. Em abril, a pesquisa registrou 80,9%. Agora, o novo resultado mostra que mais famílias recorreram ao crédito para manter despesas e compromissos financeiros.
Endividamento das famílias bate recorde histórico
A pesquisa considera diferentes tipos de compromissos financeiros. Entre eles estão cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos, financiamentos imobiliários e carnês de lojas.
Segundo o levantamento, o cartão de crédito continua como a principal modalidade de endividamento. Atualmente, ele está presente em 84,6% dos lares com algum tipo de dívida.
Além disso, os carnês de lojas aparecem em segundo lugar, com participação de 16,1%. Em seguida, o crédito pessoal representa 13,1% das modalidades utilizadas pelos consumidores.
A CNC destacou que o cartão de crédito exige atenção especial. Isso ocorre porque os juros do crédito rotativo permanecem em patamares elevados. De acordo com a entidade, essa modalidade alcança taxas de 428,3% ao ano.
Famílias de menor renda sentem maior impacto
O estudo aponta que o aumento do endividamento das famílias afeta principalmente os consumidores de menor renda. Em muitos casos, essas famílias enfrentam mais dificuldades para manter os pagamentos em dia e absorver os custos provocados por atrasos.
Por isso, a CNC defende medidas voltadas à renegociação de dívidas. Além disso, a entidade considera importante ampliar mecanismos que ajudem os consumidores a recuperar o equilíbrio financeiro.
Enquanto o endividamento cresce, especialistas acompanham os impactos desse cenário sobre o consumo e a capacidade de pagamento das famílias. Dessa forma, os próximos levantamentos deverão indicar se a tendência de alta continuará ao longo dos próximos meses.
