O Rio Grande do Norte registrou um aumento expressivo nos casos de ciguatera em 2026. Até 11 de junho, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) contabilizou 141 notificações, número 60,2% maior que o registrado durante todo o ano de 2025, quando ocorreram 88 casos.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar provocada pela ingestão de peixes contaminados com a ciguatoxina, uma neurotoxina capaz de provocar sintomas gastrointestinais, neurológicos e cardiovasculares.
Estado monitora casos desde 2022
A Sesap acompanha os registros da doença desde 2022. Nesse período, o estado notificou 259 casos, distribuídos em 46 surtos, além de registrar dois óbitos.
Desse total, 113 casos receberam confirmação, enquanto 89 seguem em investigação. Além disso, sete ocorrências foram classificadas como casos isolados e 13 acabaram descartadas.
Os dados constam no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Maioria dos casos ocorre dentro de casa
Segundo o levantamento da Sesap, 59,3% das notificações envolveram mulheres. Além disso, pessoas entre 20 e 59 anos representam 61,95% dos casos registrados.
O estudo também aponta que 64% das intoxicações aconteceram em residências. Já os estabelecimentos comerciais, como restaurantes, responderam por 36% das ocorrências.
Natal concentra mais da metade das notificações
Natal lidera o número de casos no estado e concentra 52,21% das notificações.
Na sequência aparecem Touros (24,78%), Ceará-Mirim (12,39%), Nísia Floresta (5,31%), Parnamirim (3,54%) e Extremoz (1,77%).
Segundo a Sesap, esses municípios concentram a maior parte dos registros contabilizados até o momento.
Bicuda lidera entre os peixes associados aos casos
O levantamento identificou a bicuda, também conhecida como barracuda, como a espécie mais associada aos episódios de ciguatera no estado.
Ela apareceu em 51 casos, o equivalente a 45,13% das confirmações.
Além disso, a Sesap relacionou outras espécies às intoxicações, entre elas arabaiana, dourado, cioba, pescada-branca, galo-do-alto, pargo, sirigado e robalo.
Quais são os sintomas da ciguatera?
Os sintomas podem surgir entre alguns minutos e 48 horas após o consumo do peixe contaminado.
Inicialmente, o paciente pode apresentar dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.
Além disso, a intoxicação costuma provocar manifestações neurológicas, como coceira intensa, formigamento, dormência, dores no corpo e alteração na percepção de temperatura, fazendo com que objetos quentes pareçam frios.
Nos casos mais graves, a doença também pode causar queda da pressão arterial e diminuição dos batimentos cardíacos.
Toxina não é eliminada durante o preparo
A Sesap alerta que a ciguatoxina não altera o cheiro, a cor nem o sabor do peixe contaminado.
Além disso, a substância resiste ao cozimento, ao congelamento e à salga. Por isso, o preparo tradicional dos alimentos não elimina o risco de intoxicação.
Diante desse cenário, a orientação é procurar atendimento médico ao surgimento dos sintomas e informar o consumo recente de pescado para facilitar o diagnóstico.
