Os brasileiros ainda têm R$ 6,24 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. Os dados são do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central (BC), com base nas informações de maio de 2026, divulgadas nesta terça-feira (14).
Do total disponível, R$ 4,44 bilhões, equivalente a 71,1%, pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas. Além disso, R$ 1,80 bilhão está disponível para 2,27 milhões de empresas.
No entanto, o saldo caiu cerca de R$ 4,08 bilhões em comparação com abril, quando o sistema registrava R$ 10,32 bilhões disponíveis. Assim, a redução mensal chegou a 39,5%. Antes disso, em março, o volume havia atingido R$ 10,58 bilhões, o maior patamar desde dezembro de 2025.
Segundo o Banco Central, parte dos recursos seguiu para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que apoia a redução dos juros nas renegociações de dívidas do Desenrola 2.0. Por isso, o saldo disponível diminuiu no período.
Banco Central já devolveu mais de R$ 15 bilhões
Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, em janeiro de 2022, o Banco Central identificou R$ 21,71 bilhões em recursos esquecidos. Desse total, os beneficiários já recuperaram R$ 15,47 bilhões, o equivalente a 71,3% do montante localizado.
As pessoas físicas resgataram R$ 11,40 bilhões, distribuídos entre 37,84 milhões de beneficiários. Da mesma forma, as empresas retiraram R$ 4,07 bilhões, destinados a 4,61 milhões de pessoas jurídicas.
Além disso, somente em maio os beneficiários recuperaram aproximadamente R$ 427 milhões.
Maioria dos beneficiários tem até R$ 10 para receber
Apesar do valor bilionário disponível, a maior parte dos brasileiros possui pequenas quantias para resgatar.
Ao todo, a distribuição ocorre da seguinte forma:
- Até R$ 10: 19,25 milhões de registros (67,56%);
- Entre R$ 10,01 e R$ 100: 5,56 milhões (19,49%);
- Entre R$ 100,01 e R$ 1.000: 2,99 milhões;
- Acima de R$ 1.000: 700,2 mil registros (2,46%).
Além disso, o Banco Central explica que uma mesma pessoa pode aparecer em mais de uma faixa quando possui recursos em instituições diferentes.
Consórcios concentram o maior volume de dinheiro esquecido
As administradoras de consórcio concentram R$ 2,91 bilhões, o equivalente a 46,5% do dinheiro ainda disponível.
Em seguida, aparecem os bancos, com R$ 2,25 bilhões (36,1%). Além deles, cooperativas somam R$ 586,7 milhões, instituições de pagamento concentram R$ 311,5 milhões, financeiras reúnem R$ 106,3 milhões, corretoras e distribuidoras acumulam R$ 71 milhões, enquanto outras instituições registram R$ 8,8 milhões.
Por outro lado, os bancos lideram em número de beneficiários, com 12,48 milhões de pessoas. Na sequência, aparecem os consórcios, com 8,69 milhões, as instituições de pagamento, com 2,86 milhões, e as cooperativas, com 2,62 milhões. As financeiras contabilizam 1,26 milhão de beneficiários. Já as corretoras e distribuidoras registram 61.329, enquanto as demais instituições somam 13.963.
Como consultar o dinheiro esquecido
O cidadão deve consultar os valores na página oficial do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.
Para visualizar os detalhes e solicitar a devolução, basta acessar o sistema com uma conta gov.br de nível prata ou ouro.
Depois disso, o sistema informa o valor disponível, a instituição responsável e a origem do recurso.
Quando houver essa opção, o cidadão poderá solicitar a transferência diretamente via Pix. Caso contrário, deverá entrar em contato com a instituição financeira responsável para combinar a devolução.
Por fim, o Banco Central recomenda que os cidadãos consultem o sistema periodicamente, pois novas informações podem surgir sempre que as instituições financeiras atualizam seus registros.
