Autismo em adultos tem recebido cada vez mais diagnósticos nos últimos anos, reflexo dos avanços da neurociência e da ampliação do conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atualmente, especialistas explicam que esse aumento não significa, necessariamente, que existam mais pessoas autistas, mas sim que a ciência passou a reconhecer apresentações do transtorno que antes eram pouco identificadas, especialmente em pessoas que chegaram à vida adulta sem um diagnóstico.
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Segundo a neurologista Ana Carolina Andorinho, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a compreensão sobre o espectro evoluiu significativamente. Além disso, muitas características consideradas sutis durante a infância passaram despercebidas por familiares e profissionais de saúde, principalmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida.
Autismo em adultos exige avaliação cuidadosa
De acordo com a especialista, o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento presente desde os primeiros anos de vida. No entanto, em muitos casos, os sinais foram interpretados apenas como traços de personalidade ou comportamentos individuais.
Conforme Ana Carolina Andorinho, pessoas autistas podem apresentar diferenças na comunicação, na interação social, na flexibilidade cognitiva e no processamento de estímulos do ambiente. Além disso, dificuldades persistentes em situações sociais, necessidade de manter rotinas rígidas e desafios na regulação emocional podem permanecer por muitos anos sem um diagnóstico adequado.
A neurologista destaca que o aumento dos diagnósticos está diretamente relacionado ao maior conhecimento científico sobre o transtorno.
“Podemos supor que o conhecimento sobre o TEA parece ter crescido e, além disso, a condição se tornou menos subdiagnosticada”, afirma.
Diagnóstico considera toda a história de vida
A avaliação de um adulto com suspeita de TEA vai além da observação de comportamentos isolados. Segundo a especialista, os profissionais analisam a trajetória da pessoa desde a infância, bem como os impactos das características do transtorno na rotina, nos relacionamentos e no ambiente de trabalho.
A investigação precisa considerar outras condições que podem estar associadas, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outros quadros neuropsiquiátricos. Dessa forma, o diagnóstico exige uma análise criteriosa realizada por profissionais capacitados.
Conforme Ana Carolina Andorinho, alguns traços do espectro autista também podem aparecer em outras condições psiquiátricas ou até mesmo em determinados perfis de personalidade. Por isso, a avaliação deve considerar a funcionalidade e a independência do paciente, evitando conclusões baseadas apenas em comportamentos específicos.
Diagnóstico pode trazer compreensão e suporte
Receber o diagnóstico na vida adulta pode representar uma mudança importante na forma como a pessoa compreende sua própria história. Além disso, o reconhecimento do TEA possibilita acesso a acompanhamento especializado, orientações e estratégias que contribuem para melhorar a qualidade de vida.
