Irã suspende ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico após dois dias consecutivos sem bombardeios norte-americanos. O anúncio foi feito neste domingo (26) pelo Exército iraniano e representa um novo capítulo na tentativa de reduzir as tensões entre os dois países. Além disso, autoridades iranianas confirmaram que seguem as conversas para retomar as negociações sobre o futuro do Estreito de Ormuz.
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A decisão ocorre em meio a uma trégua temporária após semanas de confrontos provocados pela disputa em torno da estratégica rota marítima, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Assim, a interrupção das ações militares alimenta a expectativa de uma solução diplomática para o conflito.
Irã suspende ataques e cita estratégia de retaliação
Segundo o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, a suspensão das operações ocorreu porque os Estados Unidos interromperam os ataques contra alvos militares iranianos nas duas últimas noites.
De acordo com o militar, a estratégia adotada por Teerã tem caráter exclusivamente retaliatório. Portanto, diante da pausa nas ofensivas norte-americanas, o Irã decidiu interromper os ataques.
Akraminia também afirmou que a condução da guerra pelos Estados Unidos permanece indefinida. Conforme declarou, a falta de clareza pode ser percebida tanto nas manifestações do presidente norte-americano quanto nas ações do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Conflito começou após disputa no Estreito de Ormuz
As hostilidades entre Estados Unidos e Irã voltaram a crescer no início de julho. Na ocasião, Washington realizou ataques em resposta ao que classificou como uma ofensiva iraniana contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
Em seguida, Teerã respondeu com o lançamento de mísseis contra bases militares norte-americanas localizadas no Golfo Pérsico. Como resultado, os dois países intensificaram as ações militares, elevando a preocupação da comunidade internacional.
A escalada colocou em risco o memorando de entendimento firmado em junho, que previa o fortalecimento do cessar-fogo e a normalização da navegação na região. O acordo também buscava criar condições para um tratado de paz definitivo entre os dois países.
Negociações continuam com mediação internacional
Apesar do cenário de tensão, os sinais recentes apontam para uma retomada do diálogo. Na última sexta-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas entre as delegações avançaram e indicou que os representantes iranianos demonstram maior disposição para negociar.
Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, informou neste domingo que representantes iranianos e autoridades de Omã participaram de novas reuniões técnicas sobre o futuro do Estreito de Ormuz.
Segundo Baghaei, os mediadores internacionais trabalham para impedir uma nova escalada militar e criar um ambiente favorável à retomada das negociações entre Teerã e Washington.
Além do impacto geopolítico, o conflito no Golfo Pérsico influenciou diretamente o mercado internacional de energia, pressionando os preços do petróleo e aumentando a preocupação com o abastecimento global.
