Anthony Fauci, infectologista que se tornou uma das principais referências médicas durante a pandemia de Covid-19, voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O médico compareceu nesta semana ao Senado norte-americano e permaneceu em silêncio durante cerca de três horas de depoimento. Segundo sua defesa, a decisão ocorreu porque suas declarações poderiam ser utilizadas em futuras ações judiciais.
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Foto: Reprodução
A nova audiência reacendeu o debate sobre a origem da Covid-19 e o financiamento de pesquisas científicas. Além disso, senadores republicanos investigam se recursos administrados pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), dirigido por Fauci durante mais de três décadas, contribuíram para estudos relacionados ao coronavírus.
Anthony Fauci enfrenta novas acusações
Durante a pandemia, Anthony Fauci tornou-se um dos principais conselheiros do governo norte-americano na resposta à Covid-19. Ao longo desse período, também participou de campanhas públicas sobre doenças como HIV, ebola, gripe aviária e zika, conquistando grande notoriedade nacional e internacional.
No entanto, o médico passou a ser alvo de críticas do presidente Donald Trump e de seus aliados, que o acusam de omitir informações sobre a origem do coronavírus. As discussões ganharam novo impulso após a divulgação de um diário pessoal mantido por Fauci em sua conta governamental.
De acordo com o jornal The New York Times, o material reúne mais de 1.100 páginas produzidas entre 2019 e 2022. Nos registros, Fauci comenta reuniões, decisões tomadas durante a pandemia e o impacto de sua exposição pública.
Entre os trechos divulgados, o infectologista escreveu, em maio de 2020, que sua popularidade havia alcançado níveis inesperados. Além disso, descreveu a repercussão internacional de seu trabalho durante a crise sanitária.
Diário reforça debate sobre origem da Covid-19
Os investigadores destacaram principalmente anotações feitas nos primeiros meses da pandemia. Conforme os documentos divulgados, Fauci registrou que o mercado de animais de Wuhan teria funcionado como amplificador da disseminação do vírus, mas não necessariamente como sua origem.
O diário menciona que o NIAID financiou pesquisas no Instituto de Virologia de Wuhan, na China. Esse fato voltou a ser analisado por parlamentares norte-americanos, que buscam esclarecer a participação de instituições dos Estados Unidos em estudos científicos realizados no exterior.
Apesar das investigações, as discussões sobre a origem da Covid-19 continuam sendo tema de debate entre autoridades, cientistas e órgãos de inteligência. Até hoje, diferentes hipóteses permanecem em análise, sem consenso definitivo sobre a origem do vírus.
Indulto concedido por Joe Biden voltou ao debate
Outro ponto que voltou ao centro das discussões foi o indulto preventivo concedido pelo então presidente Joe Biden em 19 de janeiro de 2025, último dia completo de seu mandato.
Embora Anthony Fauci não respondesse a acusações criminais naquele momento, Biden concedeu o perdão preventivo para atos praticados entre 2014 e janeiro de 2025. Segundo a justificativa apresentada pela Casa Branca na época, a medida buscava evitar eventuais perseguições políticas após a posse de Donald Trump.
Além de Fauci, o general aposentado Mark Milley e integrantes do comitê que investigou a invasão ao Capitólio também receberam o benefício. O caso chamou atenção porque esse tipo de indulto é raro na história dos Estados Unidos. O precedente mais conhecido ocorreu em 1974, quando o então presidente Gerald Ford concedeu perdão ao ex-presidente Richard Nixon antes de qualquer acusação formal relacionada ao escândalo Watergate.
