A travessia em Ceuta continua mobilizando autoridades da Espanha e do Marrocos após uma das maiores crises migratórias dos últimos anos na fronteira entre a Europa e a África. Segundo o governo espanhol, mais de 48 mil migrantes retornaram ao território marroquino nas últimas 48 horas, depois que cerca de 50 mil pessoas chegaram ao enclave espanhol desde a última quinta-feira (30). Além disso, a tragédia deixou ao menos 67 mortos durante a tentativa de travessia.
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As autoridades espanholas informaram que a pressão sobre a fronteira diminuiu significativamente após o retorno da maioria dos migrantes. No entanto, algumas pessoas ainda tentam alcançar Ceuta pelo mar, apesar do reforço na segurança da região.
Ceuta é um enclave espanhol localizado na costa norte da África e cercado pelo território de Marrocos. Por fazer parte da Espanha e, consequentemente, da União Europeia, a cidade representa uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar ao continente europeu.
Travessia em Ceuta leva Espanha a reforçar fronteira
Como resposta à crise, a Guarda Civil da Espanha iniciou a instalação de uma barreira flutuante no quebra-mar de Tarajal, um dos pontos mais utilizados por migrantes para contornar a fronteira terrestre entre Ceuta e Marrocos.
Segundo o governo espanhol, a estrutura terá aproximadamente 500 metros de extensão. Além disso, ficará entre 30 e 70 centímetros acima da superfície da água e alcançará até um metro abaixo do nível do mar. O sistema contará ainda com uma linha de boias ancoradas para reforçar o bloqueio.
Apesar da nova medida, será mantido um canal específico para permitir o deslocamento das embarcações da Guarda Civil responsáveis pelo patrulhamento da área.
Entretanto, o sindicato que representa os agentes da corporação avalia que a barreira, por si só, pode não impedir novas travessias. Por isso, a entidade solicitou o envio de pelo menos 200 policiais para reforçar a vigilância na fronteira.
Crise migratória deixou dezenas de mortos
A travessia em massa provocou uma grave crise humanitária. Conforme o governo da Espanha, ao menos 67 corpos foram encontrados no lado espanhol da fronteira. Parte das vítimas morreu afogada durante a tentativa de alcançar Ceuta. Outras perderam a vida enquanto tentavam escalar o quebra-mar e a cerca de proteção instalada na região.
Equipes de resgate continuam realizando buscas, o que pode elevar o número oficial de mortos nos próximos dias.
Entre os sobreviventes está Iman, que afirmou ter perdido contato com as duas filhas durante a travessia. Em entrevista à agência Reuters, ela relatou que conseguiu permanecer ao lado do filho, mas desconhece o paradeiro das meninas.
