O empresário Cleber Ribas de Oliveira, apontado pela Polícia Federal como alvo de investigação junto a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, esteve três vezes na sede da Dataprev, em Brasília, durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Um dos encontros ocorreu com um dirigente posteriormente investigado na Operação Sem Desconto.
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Segundo informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), Ribas esteve na estatal em agosto de 2023, dezembro de 2024 e outubro de 2025. O último encontro ocorreu em 7 de outubro de 2025, com Alan do Nascimento Santos, então diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev.
Alan Santos integra as investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em março deste ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do então diretor.
As outras duas reuniões de Ribas na Dataprev ocorreram com o presidente da estatal, Rodrigo Assumpção, em agosto de 2023, e com o diretor de Tecnologia e Operações, Ricardo Borges, em dezembro de 2024.
Dataprev diz não ter registro dos assuntos
Os documentos obtidos pela LAI não apresentam informações sobre os assuntos tratados nas reuniões. Além disso, a Dataprev informou que não possui registros dos temas discutidos nos encontros.
A estatal também afirmou que não mantém contratos com a empresa 3Structure IT Ltda., pertencente a Cleber Ribas. Portanto, embora o empresário tenha se reunido com dirigentes da Dataprev, a empresa não firmou contratos diretamente com a estatal, segundo as informações apresentadas na pauta.
A defesa de Ribas afirmou que as visitas ocorreram dentro de uma prática comum no setor de tecnologia. A advogada Pollyana Soares declarou que empresas costumam realizar reuniões técnicas com órgãos públicos para apresentar produtos, serviços e possíveis soluções tecnológicas.
Segundo a defesa, todos os contratos da 3Structure foram celebrados com transparência e seguiram os procedimentos administrativos previstos em lei.
PF investiga relações de empresário
A Polícia Federal incluiu Cleber Ribas em um inquérito que também envolve Lulinha. Segundo a corporação, existem suspeitas de possível tráfico de influência e corrupção.
Além disso, a investigação aponta que Ribas pode ter atuado em conjunto com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com a empresária Roberta Luchsinger. A PF apura se o grupo teria buscado contratos com órgãos do governo federal.
Entre os órgãos que despertariam interesse do grupo estaria justamente a Dataprev. Entretanto, até o momento, não há indicação de contrato direto entre a empresa de Ribas e a estatal.
A 3Structure IT Ltda. firmou seis contratos com o governo federal que, segundo levantamento citado na pauta, somam R$ 85,7 milhões. Cinco desses contratos foram celebrados durante o atual governo Lula.
Empresa pagou R$ 150 mil a Roberta Luchsinger
Outro ponto citado na investigação envolve um pagamento de R$ 150 mil realizado pela 3Structure à empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda. A empresa tem Roberta Luchsinger e o pai dela, Roberto Luchsinger, como sócios.
A informação consta em um relatório sigiloso da Polícia Federal. Conforme a defesa de Ribas, Roberta foi contratada para prestar serviços de assessoria relacionados à prospecção de clientes e à identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia.
Ribas também já declarou publicamente ser amigo de Lulinha. A relação entre os dois integra o contexto da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Por sua vez, a defesa de Lulinha classificou a abertura dos inquéritos pela PF como “pesca probatória”. A expressão foi utilizada para questionar a condução das investigações.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a advogada Pollyana Soares afirmou que a 3Structure não possui contrato com a Dataprev. Além disso, a defesa destacou que as visitas técnicas a órgãos públicos fazem parte das atividades de empresas de tecnologia e servem para apresentação de portfólio e identificação de necessidades.
A defesa também afirmou que os contratos firmados pela empresa seguem os procedimentos administrativos previstos na legislação e negou qualquer intermediação ou favorecimento.
Até o momento, as suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda dependem da apuração das autoridades. Dessa forma, os envolvidos citados no inquérito não podem ser considerados culpados sem uma decisão judicial definitiva.
