A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, Sarah B. Rogers, criticou uma mudança adotada pelo X para cumprir as regras eleitorais brasileiras nas eleições de 2026. Em publicação na própria plataforma, ela classificou a medida como “censura imposta pelo Brasil”.
A mudança afeta o sistema de recomendações do X. Com a nova regra, publicações de contas oficiais de candidatos registradas na Justiça Eleitoral deixam de aparecer automaticamente no feed “Para Você” para usuários que não seguem esses perfis.
No entanto, a medida não bloqueia as contas nem remove as publicações. Os conteúdos continuam disponíveis nos perfis dos candidatos e podem ser acessados diretamente pelos usuários.
X cria filtro específico para eleições no Brasil
Para atender à legislação eleitoral, o X passou a utilizar um mecanismo chamado “Brazil2026ElectionFilter” no sistema de recomendações.
Na prática, o filtro impede que o algoritmo recomende automaticamente publicações de candidatos a pessoas que não seguem as respectivas contas. Assim, o conteúdo continua público, mas deixa de receber distribuição automática pelo sistema de recomendações.
Segundo a plataforma, a alteração ocorre em “estrito cumprimento” das regras eleitorais brasileiras. O próprio X afirmou que a medida deve afetar a visibilidade e o alcance das contas de candidatos durante a campanha.
Regra eleitoral motivou mudança
A mudança está relacionada à Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A norma estabelece regras para propaganda eleitoral na internet e prevê restrições à recomendação automática de conteúdos de perfis oficiais de candidaturas, ressalvadas situações previstas para impulsionamento pago.
Dessa forma, o X ajustou seu sistema para cumprir a regulamentação brasileira durante o período eleitoral.
A propaganda eleitoral das eleições de 2026 começou em 16 de agosto. Desde então, candidatos, partidos e federações podem divulgar propostas nas redes sociais, desde que respeitem as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Aliada de Trump critica medida
Sarah B. Rogers, integrante do governo do presidente americano Donald Trump, afirmou que a mudança representa uma forma de censura.
A declaração ocorre em um momento de tensão entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Nos últimos meses, Washington ampliou críticas a decisões brasileiras relacionadas à liberdade de expressão e à regulamentação das plataformas digitais.
Além disso, os dois países enfrentam divergências comerciais e diplomáticas. Nesse cenário, a discussão sobre as regras das redes sociais passou a integrar a lista de pontos de atrito entre os governos.
Publicações dos candidatos continuam disponíveis
Apesar da alteração no algoritmo, os usuários ainda podem acessar as publicações dos candidatos. Para isso, basta entrar diretamente nos perfis ou seguir as contas.
Portanto, a medida não configura retirada de conteúdo ou suspensão de candidatos na plataforma. O principal efeito ocorre sobre a forma como o algoritmo distribui essas publicações no feed “Para Você”.
A mudança busca adequar o funcionamento da plataforma às regras eleitorais brasileiras, enquanto a crítica de Rogers coloca o debate sobre liberdade de expressão e regulação das redes sociais novamente no centro das relações entre Brasil e Estados Unidos.
