O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, minimizou na quinta-feira (27) os questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Durante sabatina com os presidenciáveis promovida pela TV Globo, Flávio e Vorcaro voltaram ao centro dos debates por causa do financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Flávio classificou a relação com o banqueiro como privada e afirmou que não identifica irregularidade no investimento destinado ao longa-metragem. Segundo o candidato, a situação não pode ser comparada à relação que Vorcaro teria estabelecido com integrantes do governo federal.
Além disso, Flávio citou um suposto patrocínio de R$ 160 milhões para um programa apresentado por Luciano Huck na Globo. O candidato usou o exemplo para argumentar que relações comerciais entre empresas, bancos e veículos de comunicação não representam, por si só, uma irregularidade.
Flávio e Vorcaro: candidato defende financiamento de filme
As perguntas durante a sabatina consideraram informações sobre uma negociação de financiamento de US$ 24 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época, para o filme “Dark Horse”. Conforme documentos e mensagens obtidos pelo site Intercept Brasil, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Ao responder aos questionamentos, Flávio afirmou que tratou com Vorcaro exclusivamente sobre a produção cinematográfica. O candidato também reconheceu que pediu recursos ao banqueiro, mas negou qualquer irregularidade na negociação.
Segundo Flávio, o filme já estava em produção quando ele buscou os recursos. Dessa forma, o candidato afirmou que pretendia evitar que o projeto fosse interrompido.
Durante a entrevista, ele também mencionou um suposto investimento de R$ 50 milhões no Grupo Globo. De acordo com o candidato, o valor teria relação com a Editora Globo e com a realização de palestras, incluindo uma em Nova York, além de uma iniciativa relacionada ao jornal Valor Econômico.
Áudio sobre financiamento também gera disputa no TSE
O caso ganhou outro capítulo após a divulgação de um áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O conteúdo passou a integrar uma pesquisa da AtlasIntel sobre a corrida presidencial de 2026.
Na pesquisa, os entrevistados ouviram o áudio e, posteriormente, responderam perguntas sobre intenção de voto, rejeição e avaliação de imagem dos candidatos. No entanto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a divulgação do levantamento por meio de uma decisão liminar após pedido do PL.
O ministro avaliou que a sequência das perguntas poderia ultrapassar a simples medição da opinião pública e influenciar as respostas dos participantes. A decisão ainda deverá passar pelo plenário do TSE.
A AtlasIntel, por sua vez, defendeu a metodologia utilizada. A empresa afirmou que apresentou o áudio apenas no final do questionário, depois das perguntas sobre intenção de voto.
O áudio foi divulgado em maio pelo Intercept Brasil e mostra Flávio conversando com Vorcaro sobre pedidos e repasses destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Desde então, as circunstâncias da negociação e a origem dos recursos passaram a gerar questionamentos públicos.
