A Venezuela contradiz Trump ao afirmar que mantém a propriedade e a soberania sobre suas reservas de petróleo. A declaração da presidente interina Delcy Rodríguez ocorreu no sábado (29), um dia depois de o presidente dos Estados Unidos anunciar um acordo que, segundo ele, daria aos americanos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas.
Leia também:
Menina é resgatada após 60 horas no Nepal
Rodríguez confirmou o acordo, mas apresentou uma interpretação diferente sobre o controle dos recursos. Segundo ela, o entendimento prevê a participação de empresas privadas e investimentos estrangeiros para recuperar a indústria petrolífera, sem retirar a propriedade venezuelana sobre as reservas.
O acordo terá duração de 25 anos e prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos. A meta inicial é superar 1,5 milhão de barris de petróleo por dia.
Venezuela contradiz Trump sobre soberania das reservas
Trump afirmou na sexta-feira (28) que os Estados Unidos haviam conseguido controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de petróleo comprovado da Venezuela. O presidente americano apresentou o entendimento como um dos maiores acordos petrolíferos da história e destacou a participação de empresas privadas.
Rodríguez ressaltou que a Venezuela continuará com a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais. Dessa forma, Caracas tenta diferenciar a participação estrangeira na exploração do petróleo de uma transferência de propriedade das reservas.
O volume envolvido corresponde a cerca de 22% das reservas comprovadas venezuelanas, estimadas em aproximadamente 303 bilhões de barris. Assim, o acordo representa uma parcela significativa da principal riqueza energética do país.
Segundo Rodríguez, o projeto poderá gerar mais de US$ 209 bilhões em receitas para a Venezuela ao longo do período, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril. A presidente interina afirmou ainda que o país precisa de investimentos, tecnologia, infraestrutura e capacidade operacional para recuperar a produção.
Acordo prevê novos investimentos no setor
O entendimento também inclui oito blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, uma das principais regiões produtoras da Venezuela. Além disso, Caracas prevê novos acordos com empresas internacionais como Chevron, Repsol, Shell, Eni e BP.
De acordo com as informações divulgadas pelos governos, o acordo poderá atrair mais de US$ 100 bilhões em investimentos para o setor petrolífero venezuelano. No entanto, detalhes jurídicos e financeiros do projeto ainda não foram completamente divulgados.
A iniciativa ocorre em meio ao esforço de Washington para ampliar a oferta de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. Trump também pretende utilizar parte da nova oferta para recompor a reserva estratégica americana.
Entretanto, especialistas apontam que a recuperação da produção venezuelana dependerá de investimentos elevados e da reconstrução de uma infraestrutura que sofreu anos de deterioração. Portanto, os efeitos econômicos do acordo não devem ocorrer de forma imediata.
Venezuela avalia saída da Opep
Paralelamente, o governo venezuelano avalia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo informações atribuídas à Bloomberg. A Venezuela integra o grupo desde sua fundação, em 1960.
O eventual afastamento ocorreria justamente durante a aproximação entre Caracas e Washington. Além disso, a Venezuela há anos enfrenta dificuldades para cumprir as metas de produção estabelecidas pela organização, em razão da crise e dos problemas estruturais de sua indústria petrolífera.
O acordo com os Estados Unidos, portanto, marca uma mudança importante na política energética venezuelana. Ao mesmo tempo, a divergência na descrição do controle sobre as reservas mostra que ainda existem questões relevantes sobre a estrutura e a execução do pacto.
