Os impostos no Brasil estão entre as principais preocupações da população e devem ocupar espaço importante no debate eleitoral de 2026. Segundo pesquisa What Worries the World, da Ipsos, divulgada em julho, 30% dos entrevistados apontaram a questão tributária como um dos principais problemas do país.
Leia também:
Agenda dos presidenciáveis tem atos e eventos no fim de semana
O tema aparece atrás de crime e violência, corrupção financeira e política, saúde e pobreza e desigualdade social. Por isso, as propostas para a área tributária ganharam destaque entre os candidatos à Presidência da República.
Os programas analisados pelo SBT News apresentam diferentes caminhos para lidar com a carga tributária. Enquanto alguns candidatos defendem a redução de impostos sobre o consumo, outros priorizam a revisão de benefícios fiscais, a simplificação do sistema e mudanças na tributação da renda.
Impostos no Brasil nas propostas dos candidatos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe regulamentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado pela Reforma Tributária. Além disso, o candidato defende melhorar a eficiência dos gastos públicos e combater privilégios e distorções. Lula também prevê tratamento tributário considerado justo durante a implementação da reforma.
Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, defende reduzir a tributação sobre o consumo das famílias, incluindo contas de eletricidade e combustíveis. O candidato também propõe revisar a reforma tributária para conter o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e evitar aumentos de impostos. Além disso, defende retomar o processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com redução gradual do IOF sobre câmbio.
Augusto Cury (Avante) coloca a simplificação tributária entre as prioridades. Dessa forma, o candidato propõe unificar procedimentos e diminuir a burocracia. Ele também defende mudanças na divisão federativa dos impostos e o controle dos gastos fiscais para buscar uma alíquota de IVA inferior à atualmente projetada.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe realizar um ajuste fiscal sem criar novos tributos ou elevar alíquotas de forma permanente. Além disso, pretende revisar benefícios tributários, subsídios e isenções que não apresentem resultados socioeconômicos. O candidato também prevê regras mais estáveis para bens de capital e insumos destinados a data centers e à infraestrutura digital.
Renan Santos (Missão) defende reduzir subsídios fiscais considerados ineficientes e eliminar renúncias fiscais de caráter político. Ao mesmo tempo, propõe mudanças em tarifas aduaneiras e benefícios tributários. Para o Nordeste, prevê um regime diferenciado de IBS e CBS para Zonas Econômicas Especiais.
Romeu Zema (Novo), por sua vez, propõe metas anuais para reduzir impostos. Segundo o programa, a queda planejada da arrecadação deverá orientar cortes no teto de despesas públicas. Além disso, Zema defende diminuir gradualmente o Imposto de Renda das empresas e reduzir o IOF sobre operações de crédito.
Carga tributária chegou a 32,40% do PIB
O debate ocorre em meio a uma carga tributária elevada. Conforme estimativa do Tesouro Nacional, a carga tributária bruta do governo geral alcançou 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. O índice considera os tributos arrecadados pela União, pelos estados e pelos municípios.
Em relação a 2024, houve alta de 0,18 ponto percentual do PIB. Entretanto, os impostos sobre bens e serviços, que representam o principal componente da carga, recuaram de 13,87% para 13,78% do PIB.
Os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB. As contribuições sociais destinadas ao Regime Geral de Previdência Social também aumentaram, passando de 5,28% para 5,40% do PIB.
Especialistas apontam desafios
Apesar das diferenças entre os programas, a simplificação do sistema e a redução de impostos aparecem com frequência nas propostas. No entanto, especialistas avaliam que alguns planos apresentam objetivos gerais sem detalhar como as mudanças seriam executadas.
A pesquisadora Larissa Longo, do Insper, destaca que a tributação sobre a renda recebeu menos atenção nos programas analisados. Segundo ela, os candidatos concentram boa parte do debate na tributação do consumo por causa da implementação da reforma tributária.
Além disso, Longo chama atenção para uma possível contradição entre a promessa de reduzir benefícios fiscais e a defesa de incentivos para determinados setores. Na avaliação da pesquisadora, quando um grupo paga menos tributos, outros contribuintes podem acabar compensando a diferença.
O pesquisador Rafael Barros Barbosa, da FGV Ibre, considera que benefícios fiscais não precisam ser necessariamente eliminados. Porém, ele defende avaliar a eficiência de cada incentivo e priorizar aqueles capazes de gerar produtividade e empregos.
Os especialistas apontam que qualquer redução permanente da arrecadação exige discussão sobre as despesas públicas. Assim, o próximo governo terá de equilibrar redução da carga tributária, controle dos gastos e sustentabilidade das contas públicas.
