O preço do petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9). A alta ocorreu após uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que aumentou os temores sobre o fornecimento global da commodity.
Durante os negócios, os contratos futuros do Brent chegaram a US$ 101,55 por barril. Com isso, o petróleo atingiu o maior valor desde maio e voltou a superar uma barreira considerada importante pelo mercado.
Além disso, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também avançou. O contrato chegou a cerca de US$ 96,48 por barril durante a sessão.
Guerra aumenta preocupação com oferta de petróleo
A nova disparada ocorre em meio ao agravamento dos confrontos no Oriente Médio. Nos últimos dias, forças dos Estados Unidos destruíram cinco petroleiros iranianos. Em resposta, o Irã realizou novos ataques e ameaçou embarcações que circulam pela região.
Além disso, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, atacaram instalações de energia na Arábia Saudita. Dessa forma, o mercado passou a considerar um risco maior de interrupção no fornecimento de petróleo.
Outro ponto de preocupação envolve o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Segundo a Reuters, o fluxo pela região caiu de aproximadamente 8 milhões a 9 milhões de barris por dia para menos de 2 milhões de barris por dia após a retomada dos combates.
Petróleo acumula forte valorização
O Brent já acumula uma valorização expressiva desde o início de agosto. Segundo o Correio Braziliense, a commodity avançava cerca de 25% desde o começo de agosto nesta quarta-feira.
Por outro lado, produtores de petróleo de fora da Opep, como Estados Unidos, Canadá e Guiana, aumentaram a produção. Mesmo assim, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma redução da oferta global neste ano.
Consequentemente, qualquer interrupção prolongada no transporte da commodity pode pressionar ainda mais as cotações internacionais.
Alta do petróleo preocupa mercados
A disparada do petróleo também afeta outros mercados financeiros. Nesta quarta-feira, bolsas internacionais registraram queda diante do aumento dos riscos geopolíticos e das preocupações com a inflação.
Além disso, o aumento dos combustíveis pode dificultar o trabalho dos bancos centrais para controlar os preços. Nos Estados Unidos, por exemplo, investidores passaram a avaliar os possíveis impactos da alta do petróleo sobre os próximos passos do Federal Reserve.
No Brasil, a valorização da commodity também influenciou os negócios. O dólar abriu em alta, enquanto o Ibovespa registrava queda no início da sessão. Por outro lado, empresas do setor de petróleo foram beneficiadas pela valorização da matéria-prima.
Estreito de Ormuz é ponto estratégico
O Estreito de Ormuz ganhou ainda mais importância com a escalada da guerra. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e representa uma rota fundamental para o comércio internacional de petróleo.
Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo passava pela região. Agora, a redução do tráfego de navios aumenta a preocupação dos mercados com possíveis novas restrições ao abastecimento.
Assim, enquanto os confrontos continuarem, o petróleo deve permanecer sujeito a fortes oscilações. Além disso, novos ataques contra instalações de energia ou embarcações podem provocar outra rodada de alta nos preços.
