O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu aval nesta quinta-feira (17) ao reajuste de 15,04% do Bolsa Família, horas antes do anúncio oficial da medida.
Segundo relatos de três integrantes da campanha petista ouvidos sob reserva pelo SBT News, a decisão ocorreu em um momento de preocupação da equipe com o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais. O governo nega que o reajuste tenha motivação eleitoral.
Com a correção, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago às famílias subirá de R$ 675 para R$ 777. A medida começa a valer na folha de outubro e deve alcançar 19,3 milhões de famílias.
Reajuste do Bolsa Família
O governo vinha discutindo alternativas para ampliar o poder de compra dos beneficiários do programa.
Na segunda-feira (14), uma reunião com integrantes da equipe econômica analisou medidas na área e o espaço fiscal disponível. Nos dias seguintes, avançou a proposta de reajuste de 15,04%, percentual correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023 até agosto de 2026.
A proposta deveria ter sido apresentada ao presidente na quarta-feira (16), mas a reunião não ocorreu devido à agenda de Lula. Nesta quinta-feira, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou a proposta ao presidente, que autorizou a medida.
Governo nega relação com as eleições
O governo afirma que a correção está prevista na legislação do Bolsa Família e representa a reposição da inflação acumulada desde 2023.
Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, a equipe econômica encontrou espaço fiscal para financiar o aumento durante a elaboração da prévia do relatório bimestral de receitas e despesas.
O governo estima impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
O anúncio foi feito a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Segundo o SBT News, integrantes da campanha relacionaram o momento da decisão ao cenário mostrado por pesquisas eleitorais recentes. O governo, por sua vez, sustenta que a atualização tem como objetivo recompor as perdas inflacionárias e preservar o poder de compra dos beneficiários.
Fonte: SBT news
