Localizado em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) completa 61 anos nesta segunda-feira (12). Criado em 12 de outubro de 1965, o centro foi a primeira estrutura do tipo na América do Sul e teve papel importante no início das atividades brasileiras de lançamento de foguetes para pesquisas científicas.
A criação da unidade ocorreu em um período de expansão da exploração espacial, marcado pela disputa tecnológica entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Naquele contexto, o Brasil começou a estruturar instalações e programas voltados à pesquisa da atmosfera e ao desenvolvimento de atividades espaciais.
Por que a Barreira do Inferno foi instalada no RN?
A escolha da região levou em conta condições geográficas e ambientais consideradas favoráveis às operações, como a proximidade do Equador magnético, a presença do Oceano Atlântico e a disponibilidade de uma área para o retorno e o impacto dos foguetes.
A denominação “Barreira do Inferno” está associada às falésias avermelhadas da região. Segundo a tradição local, a luz do sol refletida nessas formações rochosas lembrava labaredas de fogo.
Primeiro lançamento ocorreu em 1965
O primeiro lançamento realizado no centro ocorreu em 15 de dezembro de 1965, com um foguete Nike-Apache, de origem norte-americana, em uma operação relacionada à pesquisa científica. Nos anos seguintes, a unidade passou a receber campanhas de lançamento de foguetes nacionais e estrangeiros.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), cerca de 230 foguetes foram lançados a partir da Barreira do Inferno até 1970, no âmbito do projeto Sondagem Aeronômica com Foguetes (SAFO). As operações contribuíram para pesquisas sobre a atmosfera e para a cooperação científica internacional.
Qual é a função do CLBI atualmente?
Subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o CLBI integra a infraestrutura brasileira voltada às atividades espaciais. A unidade atua em operações de lançamento e rastreamento de veículos aeroespaciais, além de coletar e processar dados de cargas úteis.
O Brasil conta com dois centros de lançamento: o CLBI, em Parnamirim, e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Por causa da proximidade com áreas urbanas, a Barreira do Inferno concentra suas atividades de lançamento em foguetes de sondagem, usados em pesquisas e experimentos científicos.
A unidade também integra o Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e mantém sua presença na trajetória científica e tecnológica do país.
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