A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) manifestou preocupação com a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com implementação gradual. Em nota divulgada nesta quinta-feira (15), a entidade defendeu uma avaliação dos impactos econômicos da medida e maior diálogo entre o Congresso Nacional, os trabalhadores e o setor produtivo.
Segundo a FIERN, a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores é uma pauta legítima, mas a redução da jornada exige planejamento e condições para que as empresas adaptem seus processos produtivos.
A Federação também questionou o resultado da votação, de 75 votos a 1, e avaliou que o debate precisa considerar aspectos técnicos e possíveis consequências para a economia.
FIERN prevê aumento de custos e pressão sobre preços
Em alinhamento com o posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a FIERN alerta que a redução da jornada, sem medidas para ampliar a produtividade, pode elevar os custos das empresas, pressionar os preços ao consumidor e comprometer a competitividade da indústria.
A entidade cita estudos apresentados pela CNI que projetam uma retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. Esses números são projeções dos estudos mencionados pela Federação, e não resultados já observados.
Para a FIERN, os possíveis efeitos econômicos também podem atingir o poder de compra dos trabalhadores.
Entidade defende diálogo e segurança jurídica
A FIERN também afirma que a redução da jornada ocorre em um período de adaptação à reforma tributária, que exige investimentos em sistemas, revisão de processos e planejamento empresarial. Na avaliação da entidade, a implementação simultânea das duas mudanças aumenta a complexidade da gestão, especialmente para micro e pequenas empresas. Por isso, a Federação defende o diálogo entre parlamentares, trabalhadores e representantes do setor produtivo, além de segurança jurídica e acompanhamento dos efeitos da medida. A entidade também ressalta a importância de permitir que as empresas reorganizem a produção, qualifiquem profissionais e ampliem a produtividade, conciliando a melhoria das condições de trabalho com a preservação de empregos, a atração de investimentos e a capacidade produtiva.
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