O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou nesta quinta-feira (22) um acordo assinado por Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para autorizar a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ambos. O documento foi protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ainda depende de análise do ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.
Segundo o termo, as autorizações também abrangem familiares dos candidatos e pessoas jurídicas ligadas a eles. O documento prevê que a abertura dos sigilos ocorra ainda nesta quinta-feira, até as 23h59.
Representantes das duas campanhas compareceram ao TSE para tratar do acordo. Além de Camilo Santana, estiveram no tribunal o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).
Pela campanha de Flávio Bolsonaro, participaram a advogada Maria Cláudia Bucchianeri e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Acordo inclui empresa ligada a advogado
A negociação avançou após a campanha de Lula insistir na inclusão da empresa Alcazar Holdings no acordo. A campanha de Flávio aceitou a condição.
A empresa pertence ao advogado Willer Tomaz, apontado no texto como amigo de Flávio Bolsonaro. Os dois são citados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
O acordo também prevê condições apresentadas pela campanha de Flávio e aceitas por Lula. Entre elas estão a abertura dos sigilos do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além da divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência da República e da agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
Disputa começou em debate na televisão
O impasse sobre a abertura dos sigilos começou no domingo (18), durante um debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Band. Na ocasião, o presidente desafiou o adversário a divulgar simultaneamente informações bancárias e telefônicas.
Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE uma autorização para a abertura de seus sigilos e dos dados de pessoas jurídicas ligadas a ele, condicionada à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro.
Com o acordo apresentado nesta quinta-feira, as duas campanhas formalizaram o compromisso perante a Justiça Eleitoral. A efetivação das medidas, no entanto, depende da análise do documento pelo ministro responsável pelo caso.
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