Eleições

Lula acusa Flávio Bolsonaro de ligação com milícias em debate

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de ter ligação com milícias durante suas considerações finais no debate eleitoral do segundo turno, realizado pela TV Globo nessa sexta-feira (23). A declaração provocou uma reação imediata do parlamentar, que recebeu um minuto de direito de resposta para contestar as afirmações do adversário.

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Durante sua fala, Lula destacou sua trajetória política e pessoal. Em seguida, afirmou que os eleitores precisariam escolher entre a continuidade da democracia e a possibilidade de um governo comandado por um miliciano.

“Sou um homem que tem biografia, tem história, tenho uma luta junto com vocês há muito tempo. Comecei a trabalhar com 12 anos de idade”, declarou o presidente. Logo depois, completou: “Ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando este país”.

Flávio Bolsonaro rebate acusações e promete combater milícias

Após a declaração, a organização do debate concedeu direito de resposta a Flávio Bolsonaro. O senador negou as acusações e criticou Lula por associar seu nome a crimes que, segundo ele, não cometeu.

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Além disso, o candidato afirmou que nunca foi alvo de investigação por supostos vínculos com milicianos. Em sua manifestação, também apresentou propostas de segurança pública para um eventual governo.

Flávio prometeu intensificar o combate ao crime organizado, classificar as milícias como organizações narcoterroristas e recuperar territórios dominados por grupos criminosos. Segundo o parlamentar, a iniciativa pretende devolver à população o controle dessas áreas.

“Quem vai andar com medo na rua são marginais”, afirmou o candidato do PL, ao defender uma política de enfrentamento às organizações criminosas.

Entenda as acusações envolvendo Flávio Bolsonaro e milícias

As declarações de Lula retomam episódios relacionados a pessoas que tiveram vínculos políticos ou profissionais com Flávio Bolsonaro durante o período em que ele exerceu mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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Em 2019, a Operação Intocáveis investigou a atuação de milícias no Rio de Janeiro. Entre os alvos estavam Adriano da Nóbrega e o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira. Ambos receberam homenagens da Alerj entre 2003 e 2004, por indicação de Flávio Bolsonaro, que ocupava uma cadeira na Assembleia.

Ronald foi apontado pela Polícia Federal como ex-chefe da milícia da Muzema, na zona oeste do Rio. Neste ano, ele foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 56 anos de prisão por participação nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, ocorridos em 2018. Segundo as acusações, ele teria monitorado a rotina da parlamentar antes do crime.

Adriano da Nóbrega, por sua vez, morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia que buscava capturá-lo. A família do ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) sustentou a hipótese de que a morte teria sido uma queima de arquivo.

Caso Queiroz também marcou trajetória política do senador

Outro episódio relacionado ao período de Flávio Bolsonaro na Alerj envolve Fabrício Queiroz, ex-policial militar que trabalhou em seu gabinete. O caso ganhou repercussão devido às suspeitas de prática de rachadinha, esquema que consiste na devolução de parte dos salários de assessores a um agente público ou a pessoas ligadas a ele.

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A mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega também trabalharam com Flávio na Assembleia Legislativa. No entanto, a investigação relacionada à suspeita de rachadinha no gabinete do então deputado foi arquivada pela Justiça.

Esses episódios integram o contexto político das acusações trocadas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Entretanto, as referências a pessoas investigadas ou condenadas por crimes não comprovam, por si só, envolvimento do senador com milícias.

Acusações contra Bolsonaro já apareceram em campanhas anteriores

A associação entre integrantes da família Bolsonaro e milícias também esteve presente na campanha eleitoral de 2022. Naquele período, materiais da campanha de Lula relacionaram o então presidente Jair Bolsonaro a pessoas acusadas de integrar organizações criminosas.

Na propaganda eleitoral gratuita, uma peça da campanha petista afirmava que Bolsonaro mantinha relações com milicianos e associava sua atuação ao armamento do crime organizado.

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