Depois de quase três décadas caminhando pelo mundo, o britânico Karl Bushby, de 57 anos, voltou para casa nesta segunda-feira (2). Ele chegou a Hull, cidade onde nasceu, na Inglaterra, após percorrer cerca de 49 mil quilômetros em uma jornada iniciada em 1998.
Centenas de pessoas se reuniram na Queen Victoria Square, principal praça da cidade, para receber o aventureiro. A prefeita de Hull, Maria Coward, participou da homenagem e destacou a resistência e a determinação de Bushby.
Com seus pertences transportados em um pequeno carrinho de duas rodas, ele foi recebido por moradores e, em seguida, seguiu para a casa da família. A mãe, o filho de 36 anos e uma neta de 12 anos aguardavam sua chegada.
Uma caminhada que começou em 1998
Antes de iniciar a aventura, Bushby serviu no Regimento de Paraquedistas do Exército Britânico. Em 1998, após o fim do casamento, decidiu colocar em prática uma ideia inspirada em uma pergunta feita pelo pai: seria possível caminhar de Londres até Nova York?
Ele traçou uma rota em um mapa-múndi e partiu do Chile levando uma barraca, algumas centenas de dólares e uma câmera simples. O plano inicial era concluir o percurso em dez anos, mas uma série de obstáculos prolongou a viagem por quase três décadas.
Atravessou continentes, enfrentou prisões e barreiras políticas
A jornada começou na América do Sul e seguiu em direção ao norte, passando pelas florestas da América Central até chegar aos Estados Unidos. Depois, Bushby atravessou o trecho congelado entre o Alasca e a Rússia e percorreu países como China e Mongólia.
Para continuar o trajeto em direção à Europa, ele precisou atravessar o Mar Cáspio a nado. Já no mês passado, repetiu o desafio no Canal da Mancha, etapa que permitiu seu retorno à Inglaterra.
Ao longo do percurso, o aventureiro enfrentou situações de risco e problemas burocráticos. Foi preso no Panamá, ficou sob a mira de uma arma no México e acabou detido por autoridades russas após cruzar uma fronteira de forma irregular.
A crise financeira de 2008 e a pandemia de covid-19 também provocaram atrasos. Além dos obstáculos naturais, Bushby precisou lidar com questões de vistos, logística e acordos de patrocínio.
A viagem teve 15 anos efetivos de caminhada
Apesar dos 28 anos desde a partida, Bushby estima que passou aproximadamente 15 anos efetivamente caminhando. Em diferentes períodos, precisou interromper o percurso para resolver questões administrativas e organizar a continuidade da expedição.
Durante a jornada, ele também enfrentou longos trechos de paisagens repetitivas, especialmente em regiões desérticas, onde o cenário podia permanecer praticamente igual por dias ou semanas.
A história da expedição agora deve ganhar novos formatos. Um documentário sobre a viagem está em produção, e Bushby se prepara para uma turnê de palestras pela Inglaterra nas próximas semanas.
Leia também: Copilota de 20 anos morta em queda de jato nos EUA tinha família brasileira
