O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise envolvendo o banco digital Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. A saída ocorreu após o avanço de um pedido de impeachment apresentado por parlamentares e a perda de apoio de integrantes do próprio partido do governo.
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai interveio na instituição financeira ao identificar problemas de solvência e falta de recursos para cumprir suas obrigações. O banco pertence ao Grupo Vázquez e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos ligados à Previdência Social do país.
Crise bancária provocou pressão política
A situação ganhou dimensão política porque Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. Parlamentares da oposição acusaram o presidente de conflito de interesses, uso indevido de recursos previdenciários e acobertamento de irregularidades por instituições públicas. As acusações fazem parte das investigações em andamento.
Antes da renúncia, 35 deputados assinaram um pedido de impeachment contra Peña. A iniciativa também recebeu apoio de integrantes dissidentes do Partido Colorado, legenda do presidente.
A crise provocou ainda a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, a pedido de Peña. Oito pessoas ligadas ao banco foram detidas, enquanto outras 27 foram formalmente acusadas pela Procuradoria paraguaia.
Vice-presidente deve assumir o governo
Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do Executivo paraguaio, conforme prevê a Constituição do país. A formalização da saída e a sucessão dependem dos procedimentos institucionais no Congresso.
Antes de deixar o cargo, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça e defendeu que os clientes afetados tenham prioridade na recuperação dos valores.
A Associação de Bancos do Paraguai informou que as demais instituições financeiras continuam operando normalmente, apesar da crise envolvendo o Ueno Bank.
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