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Juros são principal problema para conseguir crédito, segundo 80% dos empresários industriais

Pesquisa da CNI mostra que juros altos são o principal obstáculo para o acesso ao crédito em 80% das empresas industriais em 2025.
Foto: Pixabay

Oito em cada dez empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito em 2025 apontam os juros elevados como o principal obstáculo para o financiamento. É o que revela a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria, com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento.

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Segundo o levantamento, 80% dos empresários que relataram dificuldade para conseguir crédito de curto ou médio prazo indicaram os juros altos como o maior entrave. Em seguida, aparecem as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, citadas por 32% dos entrevistados, e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas, mencionada por 17%.

O mesmo cenário se repete na busca por crédito de longo prazo, com prazos superiores a cinco anos. Nesse caso, 71% dos industriais voltaram a apontar os juros elevados como principal problema. A exigência de garantias reais foi citada por 31%, enquanto a ausência de linhas adequadas voltou a aparecer para 17% dos entrevistados.

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Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, a atual política monetária tem impacto direto sobre o acesso ao financiamento. Segundo ela, a taxa Selic em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10% encarecem o crédito e desestimulam o investimento. “O crédito mais caro reduz o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia.

A pesquisa mostra ainda que a taxa de juros elevada freou a própria busca por financiamento. Mais da metade das empresas, 54%, não tentou contratar ou renovar crédito de longo prazo nos seis meses anteriores ao levantamento, entre fevereiro e julho de 2025. No mesmo período, 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que cai para 17% no caso de crédito de longo prazo.

Entre as empresas que efetivamente buscaram financiamento, o índice de frustração foi elevado. Quase um terço das que tentaram crédito de longo prazo não conseguiu contratar, enquanto cerca de um quinto das empresas que procuraram crédito de curto ou médio prazo também não teve sucesso.

O recorte por porte de empresa mostra que as médias indústrias foram as mais afetadas. Entre elas, 43% não conseguiram obter crédito de longo prazo. Nas pequenas empresas, o percentual foi de 37%, enquanto nas grandes ficou em 27%. Na busca por crédito de curto ou médio prazo, a frustração atingiu 26% das médias empresas, 21% das pequenas e 16% das grandes.

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Além da dificuldade de acesso, muitas empresas relataram piora nas condições oferecidas pelas instituições financeiras. Para 35% das indústrias que renovaram crédito de curto ou médio prazo, as condições ficaram piores ou muito piores no período analisado, considerando fatores como taxa de juros, número de parcelas, carência e exigência de garantias. No crédito de longo prazo, 33% tiveram a mesma percepção.

Para 47% das empresas, tanto no crédito de curto quanto no de longo prazo, as condições permaneceram semelhantes, sem mudanças significativas. Apenas 14% afirmaram ter conseguido renovar crédito de curto ou médio prazo em condições melhores, percentual que cai para 12% no caso de crédito de longo prazo.

O levantamento também mostra baixa adesão ao chamado risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis. Apenas 13% das empresas afirmaram ter contratado esse tipo de operação nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 54% declararam não ter contratado nem pretender contratar. Outros 29% disseram não conhecer ou não souberam responder.

A Sondagem Especial nº 98 ouviu 1.789 empresas industriais entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes, e traça um panorama do impacto da política monetária sobre o acesso ao crédito no setor industrial brasileiro.

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