A relação entre Trump e Groenlândia voltou ao centro do debate internacional desde o retorno do republicano à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025. O presidente norte-americano passou a defender, de forma cada vez mais direta, a anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca há mais de dois séculos. Embora Trump tenha recuado recentemente ao descartar o uso da força, suas declarações acenderam alertas diplomáticos na Europa e reacenderam discussões sobre a estabilidade da ordem global.
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Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que não pretende usar meios militares nem impor tarifas à Europa no curto prazo. No entanto, ao mesmo tempo, reforçou que considera a Groenlândia estratégica para os interesses dos Estados Unidos. A reação foi imediata. Logo depois, lideranças europeias realizaram uma reunião de emergência em Bruxelas para avaliar os impactos das ameaças e discutir possíveis respostas conjuntas.
Trump e Groenlândia: interesses históricos e estratégicos
O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia, por outro lado, não surgiu agora. Desde o século 19, políticos americanos discutem a possibilidade de anexar a ilha. Em 1868, inclusive, jornais noticiaram uma possível compra do território por US$ 5,5 milhões, proposta que acabou rejeitada pelo Congresso à época. Naquele momento, a região era vista como pouco atrativa, coberta por gelo e sem valor econômico evidente.
Atualmente, o cenário mudou. As mudanças climáticas aceleraram o degelo e abriram caminho para a exploração de petróleo, gás natural, terras raras e lítio. Conforme explicam especialistas, esses recursos são essenciais para tecnologias modernas e para a indústria de defesa. Além disso, Trump passou a associar a Groenlândia ao chamado “Domo de Ouro”, escudo antimísseis que ele pretende implantar como parte da estratégia de segurança nacional dos EUA.
Mesmo assim, analistas destacam que os Estados Unidos já mantêm presença militar na região desde 1951, por meio de acordos com a Dinamarca no âmbito da Otan. Dessa forma, o argumento de que seria necessária a anexação para garantir segurança perde força, segundo estudiosos.
Ameaças à Otan e à ordem mundial
As declarações de Trump provocam preocupação adicional porque EUA e Dinamarca integram a Otan desde 1949. Assim, uma eventual ação militar contra a Groenlândia representaria não apenas um conflito territorial, mas também o colapso da principal aliança militar do Ocidente. Embora a Europa dependa fortemente do poder militar americano, a União Europeia avalia medidas econômicas de retaliação, como tarifas bilionárias e restrições a empresas dos EUA.
Acima de tudo, especialistas alertam que o embate entre Trump e Groenlândia simboliza algo maior: o enfraquecimento da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial. A possível ruptura de regras multilaterais favoreceria líderes autoritários e legitimaria invasões em outras regiões do mundo.






















































