A rotina de quem convive com o diabetes é marcada por cuidados constantes, medições diárias e a busca incessante pelo equilíbrio nos níveis de glicose. Para muitos brasileiros, esse controle envolve as incômodas e frequentes picadas no dedo, essenciais para evitar complicações graves que podem afetar a visão, os rins e o sistema cardiovascular.
Entretanto, uma nova perspectiva está surgindo nos corredores do Poder Legislativo em Brasília, prometendo modernizar o tratamento oferecido pelo sistema público de saúde. A proposta em discussão visa democratizar o acesso a tecnologias de ponta, antes restritas apenas a quem possuía alto poder aquisitivo para custear dispositivos importados e caros.
O foco central desta iniciativa é substituir métodos invasivos por sistemas de monitoramento inteligente, que permitem ao paciente acompanhar sua saúde em tempo real através de um simples escaneamento. Essa mudança não representa apenas um avanço tecnológico, mas uma verdadeira transformação na qualidade de vida e na autonomia de milhares de cidadãos.
O fim das picadas no dedo: Como o sensor gratuito pode mudar sua rotina
O Projeto de Lei 323/25, de autoria da deputada Renilce Nicodemos, avançou significativamente em janeiro de 2026 ao receber parecer favorável na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A proposta obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fornecer gratuitamente o monitor de glicose por escaneamento intermitente, conhecido popularmente como sensor “sistema flash”. Esse dispositivo, que tem um valor de mercado estimado em cerca de R$ 341,90 por unidade, consiste em um pequeno sensor aplicado na pele que dispensa as perfurações diárias para coleta de sangue.
A grande vantagem dessa tecnologia é a capacidade de realizar leituras ilimitadas ao longo do dia apenas aproximando o celular ou um leitor digital do sensor. Isso permite que o paciente identifique tendências de queda ou subida da glicemia antes mesmo de sentir os sintomas, prevenindo crises de hipoglicemia severa. Para crianças e idosos, especialmente, essa facilidade representa um ganho inestimável, reduzindo o trauma e aumentando a adesão ao tratamento rigoroso que a doença exige para evitar internações hospitalares custosas ao Estado.
Embora o custo inicial por sensor pareça elevado, a economia gerada a longo prazo com a redução de complicações crônicas e procedimentos de emergência torna a medida financeiramente viável e socialmente urgente. O próximo passo decisivo agora depende da análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça.
Saiba quando você poderá retirar o seu kit tecnológico na farmácia do SUS
Para que o benefício chegue efetivamente ao braço do cidadão, o projeto precisa completar sua tramitação em caráter conclusivo, passando pelo Senado antes da sanção presidencial. A expectativa é que, uma vez aprovada, a lei estabeleça critérios claros de distribuição, priorizando inicialmente pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1 e aqueles com dificuldades de controle glicêmico. A prescrição médica continuará sendo o documento fundamental para garantir o acesso ao insumo, assegurando que a tecnologia seja acompanhada por orientação profissional adequada nas Unidades Básicas de Saúde.
Além do fornecimento do sensor, a proposta incentiva que o Ministério da Saúde estabeleça diretrizes de capacitação para as equipes de enfermagem e endocrinologia, garantindo que o usuário saiba interpretar os gráficos gerados pelo aparelho. Essa visão integrada transforma o “presentaço” em uma ferramenta de gestão de saúde pública eficiente. Com o avanço das discussões em 2026, a pressão popular e de associações de pacientes tem sido o motor para que o cronograma legislativo não sofra atrasos, visando a implementação nacional o mais breve possível.
O impacto de ter um dispositivo de R$ 341,90 custeado pelo governo é imenso para famílias que hoje comprometem boa parte do orçamento com tiras reagentes e lancetas. A modernização do SUS através do PL 323/25 coloca o Brasil na vanguarda do tratamento de doenças crônicas na América Latina. Enquanto o texto final não é publicado no Diário Oficial, o importante é manter os exames em dia e o cadastro no Cartão SUS atualizado, preparando-se para essa transição tecnológica que promete dar um adeus definitivo às dores das picadas constantes.






















































