O mercado de suplementos alimentares no Brasil vive uma expansão sem precedentes. O que antes era restrito a atletas de alta performance, hoje faz parte da rotina de quem busca emagrecimento rápido, melhora na imunidade ou ganho de massa muscular. No entanto, o aumento da demanda trouxe um problema grave: a proliferação de produtos “milagrosos” que não possuem registro e escondem substâncias perigosas em suas fórmulas.
Para frear esse avanço, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou as normas de comercialização e rotulagem desses produtos. O objetivo é garantir que o consumidor saiba exatamente o que está ingerindo e acabar com propagandas enganosas que prometem curas ou transformações físicas impossíveis em curto prazo.
A maior preocupação das autoridades de saúde é com os suplementos vendidos exclusivamente pela internet ou em redes sociais, que muitas vezes burlam a fiscalização e contêm componentes não declarados, como anfetaminas ou diuréticos pesados. O uso dessas substâncias sem controle médico pode levar a arritmias cardíacas, falência renal e danos hepáticos severos.
O fim das promessas terapêuticas em rótulos
A partir de agora, a Anvisa proibiu que suplementos alimentares utilizem em seus nomes ou propagandas termos que sugiram prevenção, tratamento ou cura de doenças. Expressões como “previne câncer”, “cura diabetes” ou “queima gordura abdominal em 7 dias” estão vetadas.
Suplementos são classificados como alimentos, e não como medicamentos. Portanto, sua função deve ser estritamente de complementar nutrientes que possam estar faltando na dieta diária. Qualquer produto que prometa um efeito fisiológico imediato e agressivo deve ser visto com desconfiança pelo consumidor.
Os novos rótulos devem ser mais claros, com letras maiores para ingredientes que podem causar alergias e um aviso obrigatório de que o produto não substitui uma alimentação equilibrada.
Como identificar se um suplemento é seguro
Antes de comprar qualquer suplemento, o consumidor deve verificar se o fabricante é regularizado. Produtos nacionais e importados que são vendidos legalmente no Brasil precisam seguir a lista de ingredientes permitidos pela Anvisa.
Uma dica prática é consultar o painel de produtos da agência no site oficial do governo. Além disso, desconfie de preços muito abaixo da média do mercado ou de marcas que não possuem um canal de atendimento ao cliente claro.
Outro ponto fundamental é observar o lacre de segurança. Suplementos originais possuem embalagens herméticas e lacres que não apresentam sinais de violação. Se o pó ou a cápsula apresentar cor e cheiro muito diferentes do habitual, suspenda o uso imediatamente.
A importância da orientação profissional
Apesar de serem vendidos livremente em farmácias e lojas de produtos naturais, os suplementos não devem ser consumidos por conta própria. O excesso de certas vitaminas, como a vitamina A ou D, pode causar intoxicação (hipervitaminose), enquanto o abuso de proteínas pode sobrecarregar o sistema renal de pessoas com pré-disposição a problemas nos rins.
O acompanhamento de um nutricionista ou médico nutrólogo é essencial para identificar se o seu corpo realmente precisa de suplementação. Muitas vezes, um ajuste simples na alimentação diária é mais eficaz e barato do que o uso de cápsulas e pós industriais.
Para grupos específicos, como gestantes, crianças e idosos, o cuidado deve ser redobrado. Nesses casos, a suplementação só deve ocorrer sob prescrição direta, uma vez que as doses permitidas são muito diferentes das recomendadas para adultos saudáveis.
O papel da tecnologia na fiscalização
A Anvisa também lançou um novo sistema de monitoramento digital que utiliza inteligência artificial para varrer plataformas de e-commerce em busca de produtos proibidos. Essa ferramenta permite que lotes irregulares sejam retirados de circulação de forma muito mais rápida do que nos anos anteriores.
O consumidor também pode ajudar. Ao encontrar um produto suspeito ou sofrer um efeito colateral inesperado, é possível registrar uma denúncia pelo sistema “Vigipós”. Esse feedback é vital para que a agência identifique novas substâncias perigosas que estão sendo introduzidas ilegalmente no mercado brasileiro.
Cuidar do corpo exige paciência e informação. A suplementação pode ser uma grande aliada da saúde, desde que feita com segurança, critério e respeito aos limites do próprio organismo.






















































