A delega Ana Gadelha revelou detalhes sobre o caso que resultou na prisão de duas mulheres nesta sexta-feira (02), no bairro Parque das Nações, em Parnamirim, por crimes de tortura, maus-tratos e violência psicológica contra as próprias filhas.
Dr. Ana Gadelha, responsável pelas investigações, concedeu uma entrevista coletiva e destacou a gravidade dos crimes. Segundo ela, na sexta-feira passada, foi registrado um boletim de ocorrência de maus-tratos, dando início às investigações. Durante a semana, as autoridades ouviram cerca de 27 pessoas e obtiveram laudos do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) que comprovam as lesões corporais.
Uma delas ainda uma criança e outra já adolescente, foram as primeiras a serem ouvidas. De acordo com a Delegada, as meninas eram submetidas a condições desumanas, sendo privadas de alimentação adequada, responsáveis por afazeres domésticos e frequentemente castigadas de forma rotineira.
Ana enfatizou a importância da participação da comunidade na proteção das crianças, destacando que a voz ativa em casos como esse deve ser a sociedade. Ela alertou para mudanças de comportamento nas crianças, falta de convívio social e brincadeiras, pedindo que a população fique atenta a esses sinais.
“A população precisa averiguar se a criança muda o comportamento e não tem convívio com outras crianças e não brinca. As crianças foram as primeiras a serem ouvidas. Elas eram muito privadas em alimentação, responsáveis pelos afazeres domésticos e eram castigadas de forma rotineira, agressões físicas, humilhações, julgamentos. Gritos foram ouvidos, pancadas foram escutadas, sinais dessas crianças que mudaram”, alertou a delegada.
As prisões das duas mulheres ocorreram nas primeiras horas desta sexta-feira e são resultado de uma investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Parnamirim. O caso veio à tona através do registro de boletim de ocorrência feito por uma cuidadora que tinha laços afetivos com as meninas. As duas acusadas, segundo a delegada, viajaram para a Europa, deixando as crianças sob os cuidados da denunciante, que teve a coragem de registrar a ocorrência após evidenciar e ouvir os relatos das vítimas.
“A denúncia foi feita por uma pessoa que foi contratada para cuidar das crianças durante uma viagem que as mães fizeram para fora do país. Essa cuidadora criou laços afetivos com as meninas, e as meninas narraram o fato. A cuidadora teve a coragem de registrar o boletim de ocorrência e ser ouvida. É isso que a gente pede à população, denunciem. Essas prisões foram decorrentes de uma investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Parnamirim. Chegamos ao caso através do registro de boletim de ocorrência da cuidadora. Os maus-tratos começaram há um ano”, concluiu a delegada Ana Gadelha.
As autoridades reforçam a importância da denúncia em casos de suspeita de abuso infantil, ressaltando que a sociedade desempenha um papel fundamental na proteção das crianças e adolescentes.
