Um recente fenômeno nas redes sociais tem despertado debates acalorados sobre a exposição infantil e os limites da liberdade na internet. Vídeos de crianças e adolescentes soltando palavrões, de acordo com suas idades, têm se tornado virais, provocando reações diversas entre os internautas.
A tendência, que ganhou destaque nas últimas semanas, levantou preocupações sobre os impactos psicológicos e sociais dessa exposição precoce. Enquanto alguns usuários enxergam os vídeos como simples brincadeiras inocentes, outros consideram a prática absurda e potencialmente prejudicial para o desenvolvimento das crianças.
Para debater sobre essa questão, Débora Sampaio, mestre em psicologia da adolescência, foi entrevistada no Tudo de Bom. Débora ressaltou a importância de refletir sobre o papel dos pais na relação com seus filhos em meio às transformações provocadas pela internet.
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A psicóloga destacou que muitos pais têm incentivado essa prática, sem compreender os potenciais danos emocionais e sociais que podem surgir. Para Débora, as crianças muitas vezes não compreendem o significado dos palavrões e são influenciadas pelo ambiente familiar e digital.
“Esse movimento começou com uma mãe que encontrou essa possibilidade de fazer com que o filho expressasse a raiva através dos palavrões só que isso viralizou. E aí o ponto é esse: a criança tem vários outros mecanismos de expressar a raiva dela, não precisa ser pelo palavrão, porque o palavrão, a gente considera socialmente que não é algo de criança.”, destacou a psicóloga.
Débora alertou para os perigos do “Sharentig”, termo que descreve o compartilhamento excessivo da vida dos filhos nas redes sociais pelos pais. Essa prática, segundo ela, viola o direito à privacidade das crianças e as expõe a riscos como o cyberbullying e a exploração virtual.