O Método Wolbachia inicia operações em Natal nesta quinta-feira (16). A iniciativa, coordenada pelo World Mosquito Program (WMP) – Fiocruz, em parceria com a Prefeitura de Natal e o Governo do RN, libera os primeiros Wolbitos, mosquitos que ajudam a reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya na capital potiguar.
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A técnica utiliza o microrganismo Wolbachia nos mosquitos Aedes aegypti. Quando liberados, eles se reproduzem com os mosquitos locais, mantendo o microrganismo nas novas gerações e diminuindo a capacidade de transmissão de arboviroses.
Não há modificação genética envolvida. A Wolbachia é naturalmente presente em cerca de 50% das espécies de insetos e não oferece riscos à saúde humana ou ao meio ambiente.
Biofábrica em Natal
A biofábrica está localizada no bairro Felipe Camarão, em um espaço de aproximadamente 400 m², equipado com salas de triagem, larvas, tubos, estoque e refeitório. É neste local que os profissionais produzirão os mosquitos com Wolbachia, incluindo a eclosão dos ovos e preparação para liberação.
Segundo Ana Carolina Rabelo, gestora de implementação do WMP-Fiocruz, as liberações vão ocorrer durante cerca de 20 semanas em 33 bairros, e os resultados podem ser observados aproximadamente dois anos após o término das solturas.
Ações complementares de prevenção
O secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, destacou que o método alivia a pressão sobre o sistema de saúde e melhora a qualidade de vida da população. “O município seguirá com visitas porta a porta, bloqueios de criadouros, mobilizações sociais e outras ações complementares”, disse.
Bairros contemplados
Os Wolbitos serão liberados nos bairros: Alecrim, Areia Preta, Barro Vermelho, Bom Pastor, Candelária, Capim Macio, Cidade Alta, Cidade da Esperança, Dix-Sept Rosado, Felipe Camarão, Guarapes, Igapó, Lagoa Azul, Lagoa Nova, Lagoa Seca, Mãe Luíza, Nossa Senhora da Apresentação, Nossa Senhora de Nazaré, Neópolis, Nova Descoberta, Pajuçara, Pitimbu, Planalto, Ponta Negra, Potengi, Praia do Meio, Quintas, Redinha, Ribeira, Rocas, Salinas, Santos Reis e Tirol.
Resultados já comprovados
O WMP atua em 15 países. No Brasil, a primeira cidade coberta totalmente pelo método foi Niterói (RJ) em 2012. Lá, em 2024, os casos de dengue caíram 89% em comparação ao período de 10 anos antes da intervenção.
No mesmo ano, o Brasil enfrentou a maior epidemia de dengue da história, com 6,6 milhões de casos e 6.200 mortes. Em Niterói, o índice foi de 374 casos por 100 mil habitantes, significativamente menor que o registrado no estado do Rio de Janeiro (1.884) e no país (3.157).





















































